11 November 2009

Toda vez que escuto "Codinome Beija-Flor" eu lembro dele.
Estranho, porque parece outra vida, mas a música resume, na verdade, diz tudo.



Codinome Beija-Flor
Cazuza

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou...

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi o teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

12 October 2009

Queria reprimir esses pensamentos repetidos de desistir de tudo, já que nada dá certo, nunca, não para mim.
Minha felicidade sempre foi baseada em mentiras bonitas, minha paz sempre foi fundada apenas no oposto do sofrimento, no amortecimento, num estado de anestesia entre as turbulências.
Não quero mais tentar nada, nem quero mais alcançar. Queria me deitar confortavelmente e esquecer, dormir. Não quero mais ter que fazer nada e fracassar de novo, e de novo. Quantas vezes a gente pode desmoronar e se refazer? Quanto a gente sobrevive ao inóspito e à rejeição, a traição?
Não quero mais.

09 October 2009

Meu maior medo é quando todo esse rancor e toda a raiva passar.
Porque daí não vai ter mais nada. Nada.

04 October 2009

Eternal Sunshine of the Spotless Mind

- Você não entende. Não é que ainda tenha restado algo do que era ruim, não que eu já não tenha superado, esquecido, perdoado. Eu apenas não quero mais.
- Isso é novo. Eu não sou mais o mesmo, você também não. Você não sabe o que é.
- Não sei. Mas sinto que não quero saber dessa maneira. Lembra quando tudo aconteceu?
- Lembro.
- Eu só queria destruir tudo ao meu redor, e hoje, agora, eu quero novamente destruir. Só que não tenho mais nenhuma esperança que as coisas um dia vão dar certo, ou melhorar.
- Isso não é verdade.
- Para mim é.
- Deixa eu te ajudar como você um dia me ajudou?
- Se você quer tanto, me dê em doses homeopáticas. Eu jamais aceitaria outro tratamento de choque. Talvez eletrochoque, apenas. Li numa dessas revistas científicas que apaga a memória. Daria minha vida por uma memória nova.
- Eu te fiz isso?
- Eu me fiz isso.
Quero ir embora de novo.

25 September 2009

Obsession by Charles Baudelaire

Forest, I fear you! In my ruined heart
your roaring wakens the same agony
as in cathedrals when the organ moans
and from the depths I hear that I am damned.

Ocean, I hate you! for I recognize
the sobs and insults of my own despair
the bitter laughter of a beaten man
repeated in the sea's huge gaity.

Night! you'd please me more without these stars
which speak a language I know all to well -
I long for darkness, silence, nothing there....

Yet even shadows have their shapes which live
where I imagine them to be, the hordes
of vanished souls whose eyes acknowledge mine.

21 September 2009

Pensei que tinha acabado, esgotado, passado do tempo, vencido o prazo de validade.
Mas não.
Não importa, se sou eu ou você, não importa.
Continuam os ecos e continuam os 'se'.
Não importa a cama, ou os livros, ou as músicas, ou o lugar.
Continua e parece que nada muda.
Nem a espera, nem o frio, nem as mãos esticadas para um céu vazio.
Continua até onde tiver que continuar.

E eu queria tanto que acabasse de um vez.

28 August 2009

Ando pensando tantas coisas - se o caderninho do meu criado-mudo falasse ele não ficaria quieto.
Delusion angel
by David Jewel

Daydream, delusion, limousine, eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm delusion angel
I'm fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Latched in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I'll carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now?

07 August 2009

We are always late, never in time

Poderia te explicar por que tanta coisa, sendo você THE ONE.
Sempre foi, desde aquele dia.

Mas não vou, é desnecessário.

04 August 2009

Estava pensando na sua pergunta: se talvez teria dado certo.
E penso que sim, talvez teria dado certo, por um motivo simples: A gente se completaria no que falta um ao outro.

Sou muito corajosa no ponto que lhe falta, de se entregar sem medo, de ser incondicional, de ter tanto a oferecer, de não ter medo do talvez, de acreditar no outro. E você é no que me falta, na coragem de mudar, de se jogar no desconhecido, no mundo, onde eu tenho medo exatamente pela falta do outro, que não costumo temer. Talvez teria dado certo porque seriamos o que o outro precisa, no momento mais necessário.

É apenas uma teoria. Mas achei perfeita quando pensei. Foi um belo insight.

Não sei o que me levou a ficar presa a isso tudo por tanto tempo, mas ainda hoje, agora, em face a impossibilidade, ainda me sinto presa, necessitando de pontos finais e de um adeus que nunca quis dar. Faço um esforço enorme para não pensar nisso, para não sucumbir. Até porque seria impossível.

Não que eu não deseje o impossível, mas sinto a inevitabilidade, o nunca mais que sempre temi, o frêmito do que poderia, ainda mais que hoje eu achei que poderia ter dado certo pelos motivos mais simples, nossos defeitos se completando.

Estou tentando ao máximo deixar minha dramatização para trás, no passado, mas tem horas que não consigo. É por demais intrínseco a mim. Quando penso nos 'se' e nos 'quase' sinto falta de tudo que não pude viver, e nem dividir. De não poder ficar ao seu lado e dormir, de não poder decorar seus traços com as pontas dos meus dedos, de não rir de algo bobo, ou de nunca te sentado na grama, olhando a lua e deitar minha cabeça no seu peito. Das coisas pequenas, dos atos do cotidianos e inesperados. De nunca ter conseguido me despedir, de poder dar o adeus que neguei.

"A pele é de uma doçura suntuosa. O corpo. O corpo é magro, sem forças, sem músculos, podia ser o corpo de um doente, de um convalescente, ele é imberbe, sua única virilidade é a do sexo, é muito fraco, parece estar à mercê de um insulto, parece sofrer. Ela não olha para o rosto. Não olha. Só o toca. Toca a doçura do sexo, da pele, acaricia a cor dourada, a novidade desconhecida. Ele geme, chora. Dominado por um amor abominável."

03 August 2009

Estava lendo Marguerite Duras, O Amante.
Gosto tanto desse livro. Ainda não sei porque, mas me faz pensar em várias coisas, na inércia, no topor. Me sinto dormente lendo, leve, irreal.
Gosto.

E me faz imaginar como seria. Penso nisso o tempo todo, há muito tempo. Odeio não ter controle sobre o que penso. Queria ter a determinação, a disciplina de não pensar em certas coisas, ainda mais quando elas são apenas devaneios e ecos. Quando não se pode mais fazer nada sobre isso, e alimentar esses pensamentos é apenas doloroso.

Quando leio o trecho que fala do apartamento em Cholen, eu imagino que talvez fosse daquela maneira. Tão doce que dói. Tão fatídico que haverá lágrimas apesar de tudo.

02 August 2009

Pergunte ao Pó

Pergunte ao Pó, do John Fante é um dos meus livros prediletos, mas a tradução do Paulo Leminski que fique claro. Essa última edição que saiu é uma merda. Acabou com todo ritmo e lirismo. Não é a mesma coisa. Não dá pra sentir as nuances de urgência e miséria absoluta. O pó do deserto soterrando tudo aos poucos...
Tem esse prólogo que não foi lançado aqui no Brasil, mas que é tão bonito...


Prologo de "PERGUNTE AO PÓ"
John Fante


Pergunte ao pó na estrada! Pergunte às árvores solitárias onde o Mojave começa. Pergunte a elas sobre Camilla Lopez, e elas sussurrarão seu nome. Sim, pois o último a ver minha garota Camilla Lopez foi um tuberculoso vivendo à beira do Mojave, e ela se dirigia ao Leste com um cachorro que dei a ela, e o cachorro chamava-se Pancho, e nunca ninguém viu Pancho de novo também. Você não acreditará nisso. Você não acreditará que uma garota se aventuraria no deserto do Mojave em Outubro sem nenhuma companhia exceto um cachorrinho policial chamado Pancho, mas aconteceu. Eu vi as pegadas do cachorro na areia, e vi as pegadas de Camilla ao lado das do cachorro, e ela nunca voltou para Los Angeles, sua mãe nunca a viu de novo e a não ser que um milagre tenha acontecido, ela está morta lá no Mojave hoje, e Pancho também. Não preciso criar um enredo para isso, meu segundo livro. Aconteceu comigo. Eu estava apaixonado por ela e ela me odiava e essa é a minha história.

Pergunte ao pó na estrada. Pergunte ao velho Junipero Serra no Plaza, sua estátua está lá, assim como as faixas na frente dele onde acendi fósforos, fumei cigarros e assisti a humanidade passar, eu, John Fante e Arturo Bandini, dois em um, amigo dos homens e bichos. Aqueles foram os dias! Eu vagava pelas ruas e as sugava e às pessoas nelas como um homem de mata-borrão. Arturo Bandini, com um conto vendido, grande escritor sonhando grandes planos. Ainda posso ver aquele cara, aquele Bandini, com uma revista de capa verde debaixo do braço, perpetuamente debaixo de seu braço, andando por essa cidade com uma tolerância gentil com homens e bichos, um filósofo, ele era, dos jovens, a história de um escritor que se apaixonou por uma garota de um bar e foi mandado embora.

Mas olha, deixa eu tentar contar a minha história. Me apaixonei por uma garota chamada Camilla Lopez. Entrei em um café em uma noite, e lá estava ela, e para sempre, até agora, esta noite, quando escrevo, engasgo quando penso na beleza daquela garota. Ela estava lá, ao meu lado, era uma garçonete em um boteco, me trouxe café e achei o café vagabundo e nós conversamos. Então voltei de novo e de novo, e logo estava tão loucamente apaixonado que me comportava como um bobo, e o tempo todo ela amava outro, ela amava um bartender no Liberty Buffet onde trabalhava, e o bartender não a suportava. Então ela saiu comigo para esquecê-lo, foi a todos os lugares comigo, e eu era maluco por ela, e piorei, e ela piorou pelo bartender. Começou a fumar maconha. Me ensinou a fumar. Pirou. Foi para um hospital psiquiátrico. Ficou lá por um mês. Saiu e eu a vi de novo. Ainda era apaixonada por Sammy, o Bartender. Ele não a tolerava. Ele não a tolerava porque ela era uma simples mexicana e ele era americano e ela estava abaixo dele, e essa é a história - isso é o tema de Ramona, mas dessa vez é um ítalo-americano contando, e ele, Bandini, é compreensivo com a garota, porque sabe como é esse negócio de preconceito social, e ele a ama loucamente e ela não o entende. Ele é um escritor. Ele está sozinho em Los Angeles. Ele escreve sonetos para essa garota. Ela lê os sonetos e joga-os na rua. Pergunte ao pó na rua, pergunte à serragem do Liberty Café, pergunte a maldita serragem suja naquele lugar e ela dirá que recebeu pedacinhos de papel e eles eram meus sonetos, porque ela não queria saber de mim, eu apenas a distraía, ela era louca pelo americano Sammy.

Você não acha que eu tenho uma novela? Ouça, droga, conheci Camilla e na primeira noite que estivemos na praia e nadamos nus, e ela nadou para longe, para além da rebentação na Baía de Santa Mônica, nós dirigimos até lá no carro dela, e nadamos, lá debaixo do luar, garota linda, Camilla linda, oh como eu amava aquela garota, e inferno, com que mão imunda ela me tratou, ela pensava que eu era um lunático, que dizia coisas engraçadas, ela nadou para longe, longe demais para uma garota normal, e naquele oceano gelado às duas da manhã, e quando a vi sob o luar, naquela primeira noite, tive um palpite de que ela era o tipo de garota que sucumbia sob pressão social, havia algo sensível e belo sobre hoje e sempre, garota maravilhosa, cabelos negros, pele creme, nadando ao luar, me desafiando a nadar até onde estava, e eu não fui, nadei um pouco e cansei e então ela veio e nos enrolamos em um cobertor na praia e fomos dormir - um casal de garotos nus, mas senti, deitando ao seu lado naquela hora - aquele sentimento de que jamais possuiria aquela garota, senti que de alguma forma ela era veneno e que jamais aconteceria, senti paixão sem desejo, senti sua estranheza, senti em mim com a certeza do peito de minha mãe, essa coisa devorando uma linda garota mexicana que pertencia àquela terra, sob aquele céu, e não era bem vinda. E eu, o compreensivo, o amante de homens e bichos, pergunte àquela areia ao longo da Baía de Santa Mônica se o grande Arturo Bandini foi tão grande amante naquela noite, não não não, porque sentia pena dela como um homem com pena de sua garotinha e não era paixão que sentia mas apenas desejo, e foi só o que houve. Então às cinco da manhã, com o sol subindo ao Leste, dirigimos até Wilshire e ela estava tão satisfeita por eu não tê-la tocado, estava dirigindo o carro, e disse uma coisa estranha e significativa, lembro das palavras exatas, disse, "Essa foi uma noite tão linda. Nunca acontecerá de novo." Mas lá estava eu sempre com a suspeita de ter agido como um bobo, não apenas naquela noite mas em todas as noites em que estive com ela, quando visitamos muitos lugares estranhos e fascinantes nessa grande cidade. Falo de Hollywood com seu blábláblá glamuroso inútil? Dos filmes? Falo de Bel Air e Lakeside? De Pasadena e seus picos quentes? - não e não mil vezes. Digo que este livro é sobre uma garota e um garoto em uma civilização diferente: isso é sobre Main Street e Spring Street e Bunker Hill, sobre essa cidade não longe de Figueroa, e ninguém famoso está neste livro e nada notório ou famoso será mencionado porque nada disso pertence a esse livro, ou estará por aqui muito mais tempo. Isso é Ramona ao contrário. É bom. É eu.

Então chamo ao meu livro "Pergunte ao Pó" por causa do pó do Leste e do Meio-Oeste nessas ruas, e é um pó onde nada crescerá, uma cultura sem raízes, uma miserável busca desesperada por entrinchamento, a fúria vazia de pessoas perdidas e desesperançadas, sedentas por alcançar uma terra que jamais pertencerá a elas. E uma garota desgarrada que pensava que os desesperados é que eram felizes, e que tentou ser um deles.

Arturo Bandini, eu, grande escritor, com um conto vendido para o American Mercury, a história sempre no meu bolso para provar meu sucesso enquanto eu andava pela Opera House e via os riquinhos entrando, às vezes escorregando da multidão para acidentalmente tocar um xale, só um cara passando, desculpe, moça, e pelas longas horas da noite eu pensava nela, imaginando quem seria - talvez até a heroína da minha grande novela, falando com ela enquanto as luzes do Hotel St. Paul piscavam vermelhas e verdes e jogavam cores em minha cama.

Aqueles foram os dias. Pergunte ao pó na estrada, pergunte às teias de aranha em meu quarto no St. Paul, aos ratos pelos cantos do quarto, ah, ratos tão amigáveis, eles eram meus bichos de estimação, porque eu falava com aqueles ratos. "Olá, rato, como está você esta noite, onde estão seus amigos?" Claro, um amigo dos homens e dos bichos, alimentando os ratos para torná-los meus amigos, um grande homem, uma alma generosa, leitor de Thoreau e Emerson, um grande futuro escritor que tinha de ser tolerante, espalhando migalhas para meus ratos comerem à noite com as luzes do St. Paul ligando e desligando e eu deitado olhando-os ir e vir, até que teve que acabar, eles se apegaram demais, eles subiam em minha cama e sentavam aos pés, nós éramos grandes amigos, mas droga eles se multiplicavam como chineses e o quarto era muito pequeno.

Falo como um lunático? Então me dê a demência, me dê aqueles dias de novo. Me dê uma novela excêntrica daquele que sentia pena da humanidade, grande pessoa Bandini, realizador de êxitos significativos, o dó de tudo, a cidade absurda à minha volta, sortuda madrasta do meu talento, e acima de Angel's Flight, duzentas escadas acima de Bunker Hill no meio da cidade, degraus consagrados, senhor, Bandini os escalou à imortalidade! Um dia, vocês pessoas, seus grunhidores-de-ãrrã, esses degraus badalarão com minha memória, e além daquela noite naquele muro alto haverá uma placa de ouro, e sobre ela um busto - a imagem do meu rosto. Estou sozinho agora? Pfff! Minha solidão traz frutos, e haverá uma Los Angeles de amanhã para lembrar que uma voz escalou esses degraus, e Benny, o Mecânico na esquina da Terceira com a Hill chorará de alegria enquanto conta a seus netos que um dia falou com um homem das eras. Daí para meu quarto, para conversar comigo mesmo no espelho. Ou talvez para praticar um pouco para meus dias de fama, para arrumar o espelho em um ângulo, para ver como fico sentado à minha máquina de escrever, o grande em pleno trabalho, respondendo perguntas para a imprensa, piscando pacientemente enquanto os flashes explodem. "Cavalheiros, cavalheiros! Por favor! Meus olhos, cavalheiros - afinal, eu também tenho meu trabalho, vocês sabem." Gargalhadas dos cavalheiros da imprensa. "Jesus, aquele Bandini, um bom sujeito, a fama não subiu à sua cabeça. Igual a qualquer um de nós, caras normais de jornal-realmente um bom sujeito."

Pergunte aos corredores empoeirados, pergunte ao saguão empoeirado, pergunte às pessoas empoeiradas no saguão empoeirado do St. Paul, as empoeiradas pessoas cansadas e velhas e prestes a se tornarem pó, aqui para morrer, os velhos caras, o pó de Indiana e Ohio e Illinois e Iowa em seu sangue, para empoeirar e morrer em uma terra desenraizada e empoeirada. Seis anos atrás e tantos já são pó, mas há alguns que lembrarão do grande escritor, nenhum pó em sua boca, na, na, nenhum pó em sua boca, grande mentiroso escritor falando sobre grandes histórias no Saturday Evening Post e provando com um conto em uma revista verde. Grande escritor, freqüentador de sebos empoeirados, levantando revistas empoeiradas e soprando o pó de sua amada história, comprando-as todas para que não se tornassem pó. Sim, pergunte ao pó na estrada.

Ho hi ho, grande escritor escrevendo cartas para a mamãe, grande escritor achando difícil, mas olha, mamãe, tenho uma história saindo no Atlantic, no pacífico, então mande cinco dólares, mamãe, mande cinco dólares. Então com cinco dólares, com dez dólares, grande escritor com a revista verde em uma espelunca falando com loira empoeirada, falando para a grande loira sobre dias melhores. Ela leu "Carissima Mia", de Arturo Bandini? Não, então que pena. Ela leu "Mea Culpa", de Arturo Bandini? Sim, ela leu. Estranho. Porque nunca foi escrito. Mas cinco dólares e dez dólares, lá do pó do Colorado, para ajudar o garoto da mamãe - mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.

Um livro falando de gente, empoeirada gente selvagem. A verdadeira Los Angeles, Bunker Hill, aquela parte da cidade abaixo de Figueroa, e Arturo Bandini sonhando com dias melhores. As pessoas que cruzaram seu caminho: Marcus, o vendedor de vinho, que me deu um emprego como lavador de pratos porque achava que eu escrevia séries para o SatEvePost. Senhora Adolph Lang com seus gordos peitos rosados que me ofereceu pois era a mãe de Deus e eu deveria repartir o leite da vida. Dave Myers, o comunista na esquina da Terceira com a Hill e sua perna aleijada de onde vendia maconha. As senhoras que eram Escolhidas de Deus e tinham que fazer sacrifícios com Sangue do Cordeiro, mas elas não tinham cordeiro, então mataram um belo gato siamês. O Crioulo gordo que levou Camilla e eu pelo negro e sinistro caminho para a Avenida Central e por umas escadas raquíticas para um quarto em um hotel abandonado onde homens e mulheres jaziam como mortos, e o Crioulo gordo jogando-os para fora das camas, abrindo os colchões e nos vendendo maconha das fendas nele. Mais tarde, em meu próprio quarto, fumamos a maconha. Um cigarro, nenhum efeito. Dois. O quarto turva. O corpo de Arturo flutua. Ele está acima do chão, uma polegada, duas. Para o alto e para o alto e oh, mundo absurdo, Camilla absurda, e Arturo riu e riu, mas Camilla não, sua boca amaciando, saliva branca como fios de seda grudados em sua boca lasciva, abrindo suavemente para dizer seu nome, Arturo, Arturo. Sim e amém. Coisa grande. Jesus, que novela! As duas lésbicas tocando piano no Embassy, tocando valsas de Strauss para Camilla enquanto Arturo fica puto e cospe cerveja no piano e no cabelo da violinista. Os pintores bêbados do estúdio acima, os pintores desesperançados, escola de S. McDonald Wright, o último vestígio de um movimento de pintura para unir o Leste e o Oeste. As centenas de clubes vagabundos na Quinta Avenida, cravejados de belas mulheres, garotas escrevendo para casa em Iowa e Indiana, contando que estavam acontecendo, acontecendo na cidade grande, pfff, elas não estavam acontecendo, estavam fodendo tudo e todos, filipinos e japas e crioulos em um lugar abundante em beleza excessiva. Ah, aqueles clubes, onde aprendi a vagar e perder tempo, às vezes com dinheiro de outro conto vendido, às vezes falido, freqüentemente pegando dinheiro emprestado das garotas.

A pobre caixa da igreja do velho Plaza, de onde roubei 60 centavos porque eu era pobre, não era? A pista de dança filipina onde os tiras davam batidas atrás de drogas, os tiras correndo, as luzes apagando, os tiras gritando e lutando loucamente na escuridão, e os filipinozinhos calmos escondidos nos cantos escuros, sacando suas lâminas com a rapidez de balas de metralhadora nas pontas de seus dedos e esfarrapando os rostos dos tiras.

Os fantásticos e os estranhos e os bonitos: um dia uma mulher bela demais para este mundo veio e em asas de perfume, não pude suportar, não pude me segurar e a segui, quem ela era eu nunca soube, mulher em uma pele de raposa vermelha e um chapeuzinho atrevido, andando atrás dela porque era melhor do que um sonho, vendo-a entrar no Bernstein¿s Fish Grotto, observando-a em transe pela janela a nadar com rãs e trutas enquanto comia e quando acabou o garoto entra no Grotto, senta-se na mesma cadeira em que ela sentou, toca o guardanapo que ela usou, porque ela era tão linda e - apenas uma tigela de sopa, garçom, não estou com muita fome, apenas uma tigela de sopa por quinze centavos. Amor em um instante, uma heroína de graça e por nada, para ser lembrada através da janela entre trutas e rãs.

A Fome de Hamsun, mas esta é uma fome de viver em uma terra de pó, fome de ver e fazer. Sim, A Fome de Hamsun. Clarence Melville, o veterano de guerra hispano-americano bêbado, morava ali na frente. Ele tinha um quarto mais barato, sem serviços. Ele também estava cansado de laranjas. Ele tinha um carro. Entramos nele uma noite. Ele sabia onde conseguir carne. Dirigimos até San Fernando. Estacionamos o carro. Rastejamos por baixo do arame farpado até o pasto. Andamos na ponta dos pés até o celeiro. Lá estava o bezerro. Clarence bateu-lhe na cabeça com uma marreta. Arrastamos a coisa ensangüentada até o carro e voltamos para Los Angeles. Arrastamos de volta para seu quarto. Deus, que noite aquela! O bezerro não morria, não importava o quão forte batíamos. Então o sangue no chão, no tapete, nas paredes, na banheira. Não comi nada daquilo. Sangue no saguão, e a polícia veio. Encontraram Clarence em seu quarto, carneando o bezerro. Ele pegou sessenta dias, e o tempo em que esteve em julgamento e preso, fiquei em meu quarto, passei boa parte do tempo rezando, não para Hamsun ou Heine, mas para Nosso Senhor Jesus Cristo. Salve-me, Senhor, sou inocente.

Pergunte a Camilla Lopez. Pergunte a ela. Conte a ele, Camilla. Conte a esse editor cabeça dura sobre nós. "Bom, olha só, meu nome é Camilla e Arturo me amava, e eu o achava tão bobo, ele me escrevia sonetos e eles não faziam sentido. Mostrei-os aos advogados bêbados no Liberty Buffet, e eles riram, então você vê que ele era bobo porque até os advogados riram. Uma vez eu falei, disse, Arturo, quero ser esperta como você. Então ele me comprou uma cartilha, isso foi logo que nos conhecemos, ele comprou uma cartilha e me disse para aprender cinco palavras por dia, e eu aprendi - no primeiro dia - mas ele não era como Sammy, o Bartender. Oh aquele Sammy! Que olhos tinha aquele Sammy, e ele era um homem, não um escritor bobo, não um maricas, e eu amava aquele Sammy, e ele me odiava, oh Deus ele me odiava. Porque eu era mexicana, ele me chamava de 'mexicanazinha', ele me chamava de 'sebosa', ele me magoava tanto. Mas ele! Esse Arturo, ele me disse para ter orgulho de ser mexicana, e até disse que os dóceis herdarão o mundo, Jesus, eu não queria o mundo, eu só queria o Sammy e joguei a cartilha na cara dele, porque gosto que homem seja homem, não gosto de homem que é só palavras, palavras, palavras, era tudo que ele era, esse Arturo, pergunte à cama onde dormimos, cinco vezes lhe dei sua chance, mas ele nunca me tocou e eu balancei meu cabelo e ri e disse, Arturo, você não é homem, tem algo errado com você, porque você não é homem. Mas eu nem queria ele mesmo, nem liguei, eu queria esquecer Sammy, e tinha Arturo na cama e ele estava chorando, dizendo que não sabia mas que não conseguia, ele me amava tanto, ele me amava tanto. Eu ia para seu quarto no St. Paul Hotel, jogava pedrinhas na sua janela, e ele me puxava pra dentro, e eu ficava, porque sabia que ele não me tocaria, então eu o odiava porque ele ficava falando que eu deveria ter orgulho de ser mexicana, daí eu o desafiei a me tocar, levantei meu vestido e joguei em sua cara e ele sabia tanto e era tão esperto com as palavras, ele corou e disse por favor, não faça essas coisas, Camilla. E quando fomos na galeria de tiro na Main e atiramos em pombos de argila, quantos eu derrubei? Todos! Todinhos. E ele? Ele errou todos! Não acertou em um - mas Sammy não era assim, Sammy também derrubava todos. Nós passeávamos de noite, Arturo e eu. Passeando pela Terminal Island, por San Pedro, e eu gostava de umas coisas malucas, como montar em um caminhão de óleo, mas o Arturo subia? Não ele não subia, não ele dizia que era absurdo, era assim que ele dizia, mas o caminhoneiro não achava, não, o caminhoneiro riu, e eu deixei o Arturo lá e voltei com o caminhoneiro. Então ele aparecia no Liberty depois daquilo, choramingando pra me ver e me dando um poema mas ele me deixava tão furiosa porque ele não era como Sammy, mesmo que Sammy me batesse, mesmo que Sammy me chamasse de mexicanazinha. Mas às vezes ele era fofo, às vezes ele me dava flores, me deu uma flor de cada vez e dizia que eram camélias, como meu nome, então eu acho que aprendi algo com ele afinal de contas, porque não sabia que aquelas florzinhas brancas e cor-de-rosa tinham o mesmo nome que o meu. Mas eu nem ligava muito, elas não tinham metade do cheiro bom das gardênias."

E eu, Bandini, destruído e rastejando no pó, para morrer logo. Então escreva uma carta de suicídio, Bandini, escreva uma das boas - uma das longas para Camilla. E assim foi feito, uma longa carta de suicídio escrita com um coração partido, as lágrimas caindo entre as teclas através da longa noite em que escreveu, então ele dormiu em sua cadeira e rastejou até a cama, cansado demais para cometer suicídio. E de manhã, no café, leu sua carta de suicídio e rapaz, era doce! Oh rapaz tudo que ele precisava era um título e achou e despachou pelo correio e em alguns dias havia um cheque e um bilhete do editor da revista verde: "Caro Bandini - esse é um dos melhores textos que já lemos. Estamos contentes em tê-lo e esperamos que nos mande mais. O cheque está em anexo."

Bandini, grande humorista, correndo Angel's Flight abaixo para mostrar a história para Camilla: olha, é maravilhosa, muito engraçada. Uma nova face do meu talento: sou um humorista! E ela leu e riu, e ele morreu a morte que esqueceu de morrer naquele noite, pois esperava que ela visse a tragédia, mas não, até ela achava engraçado.

Pó em minha boca, pó em minha alma, tão longe dos empoeirados para o mar verdinho, com uma garota de vestido verde para Long Beach para um quartinho em Long Beach olhando o mar, e a noite toda uma garrafa de gim e a garota vestida de verde, chamando-a de Camilla por engano, até que ela gritasse; "Pára de me chamar de Camilla! Meu nome é Doris, não Camilla." Dormindo com a de verde, fingindo ser Camilla, aquela noite inteira e o dia inteiro perto do mar - 200 por outra história e terei minha Camilla do meu jeito, porque eu te fiz Camilla do meu jeito. Aquele dia inteiro e no fim da tarde uma paralisia de morte sobre a terra, um silêncio sussurrado de pó enfurecido e de repente o quarto está oscilando, a casa está desmoronando, as paredes rugem, o pó sobe, as mulheres gritam por todos os lados e quando chegamos à rua nenhum pássaro voa, não há crepúsculo naquela tarde de março, apenas pó do terremoto e no pó e nas ruínas os mortos espalhados e eu entrei em pânico, a terra convulsionando de ódio pelos meus pecados, porque a terra me odiava e a todos nós, os mortos debaixo de lençóis ensangüentados nos gramados, os pássaros sumidos, e pó sobre a terra. Então correndo para Los Angeles, esperando que ela esteja morta, esperando que Camilla esteja entre aqueles que voltaram ao pó.

Mas um grande homem deve perdoar, então o grande homem sentou em seu quarto e ponderou sobre a alma atormentada de seu amor e condenou-se por sua vergonha - ela não era mais culpada que qualquer boa garota americana seria por gritar sua aversão pela vulgaridade e brutalidade da lower Main Street. Uma carta de desculpas era necessária, a ser escrita com palavras bem escolhidas e em pena e tinta sobre papel branco e simples, assinado com todos os floreios de uma assinatura cuidadosamente praticada. Antes tarde do que nunca, uma carta cuidadosa não admitindo seu grande amor e terminando com "cordialmente".

Mais algumas noites e de novo o barulho das pedrinhas na minha janela e ela estava lá embaixo sorrindo, ela perdoou e esqueceu e para provar sua generosidade, dormiu comigo enquanto eu revirava e estremecia de desejo sem paixão.

Então os dias trouxeram a mudança de Camilla, a perda de suas carnes, os olhos enevoados, a lassidão, as mentiras, mentiras, mentiras. A noite em que apareceu com um olho roxo: um acidente de carro, ela disse. Então Sammy pegou tuberculose e teve que ir para o deserto e ela o seguiu até lá e ele a repeliu, disse para que ficasse longe dele, que queria ficar sozinho e morrer sozinho na cabana que construíra à beira do deserto.

Sammy, meu inimigo, ele também tornou-se escritor e ela trouxe suas débeis histórias estúpidas para mim, ¿porque você é esperto, Arturo, você pode ajudar Sammy a virar um escritor.¿ E eu li e ri da diversão que teria destruindo-as em pedacinhos e foi o que fiz: três histórias que ele mandou e frase por frase eu as destruí em pedacinhos, disse que ele deveria ter continuado sendo bartender, mas um grande homem deve ser amigo dos homens e animais, então rasguei as cartas e as reescrevi, fazendo meu melhor, dando o que achei que seriam conselhos, e ele começou a me escrever do deserto, aquele Sammy estúpido, mas no fundo ele era um cara legal, um insignificante de sangue frio, sempre referindo-se a ela como ¿a mexicanazinha¿, contando que ela era uma bela trepada e que seria minha se a tratasse direito. ¿Trate-a mal, Bandini, trate-a como se fosse sujeira debaixo de seus pés, como o pó na estrada, chute-a e ela se enroscará em volta do seu pau e morrerá lá.¿ E esse era o cara que Camilla amava - esse era meu rival.

Então porque não? Segui o conselho de Sammy. Ela veio uma noite e Bandini estava esperando. ¿Olá, sua imbecil, de qual beco você veio dessa vez?¿ Seus olhos se arregalaram, seus lábios sorriram e ela ficou estranhamente quieta enquanto Bandini continuava: Estou ocupado aqui; se você veio para tomar meu tempo, cai fora. E funcionou! Então entendi que ela não queria ser tratada como uma rainha, como um amor de verdade, como o sonho de Cabell de mulher perfeita. Ela estava acostumada com rudeza e tinha medo de admiração. E isso me enojou, me deixou doente, e eu a expulsei, levei-a até a porta pelo braço e disse para que fosse embora e nunca voltasse. Ela foi embora delirando de desejo, pronta para cair no pó sob meus pés. Deus, que lamentável Bandini naquela noite, sua rainha preferindo ser uma escrava.

Então a noite em que fumamos maconha. No chão, pés, fiquem no chão, meus pés, mas eles flutuaram e eu estava a um palmo do chão, dois palmos e não conseguia descer e ela era tão absurda, seu corpo era tão fantástico, sua beleza era algo para se rir - e essa foi a noite de paixão sem desejo e uma sedução de Baudelaire e DeQuincey. Mas acabou tudo para nós, ela foi embora e eu deitei na cama e meu corpo não descia, mas à medida que o efeito passava, minha cabeça doía um pouco e senti algo que não sentia desde a infância, a necessidade de confissão, de castigo, de punição, porque eu tinha estragado um sonho e quebrado uma lei de Deus e dos homens. Ainda meus pés flutuavam, ainda aquele sentimento de estar fora da terra, ansiando retornar, e peguei um jarro de água, quebrei no chão e caminhei sobre os estilhaços de vidro até que o êxtase do castigo desbotasse e fraquejasse e que eu parasse antes de tombar. Essa foi a noite em que manquei até uma igrejinha católica na quadra mexicana e passei longas horas sentado em silêncio, tentando reorganizar minha vida, fazendo planos e promessas de ser um homem melhor. Sempre um homem melhor, essa era a idéia com Arturo Bandini, ser um grande homem, acima do pó da estrada, amante dos homens e dos bichos. Não mais pecar.

Os dias passaram e eu trabalhei duro e como sempre acontece comigo, quando trabalho duro há sucesso. Chega de Camilla, fiquei longe e ela não voltou para jogar pedrinhas na minha janela. Três meses se passaram e a sorte e o trabalho uniram-se subitamente para mudar o curso das coisas e uma peça que escrevi foi comprada pelo cinema e eu ganhei quase $10,000.

Então o grande homem compra novos ternos e perfuma-se e em um luxuoso coche volta à cena de suas batalhas anteriores, para conversar naturalmente com Benny, o Mecânico e dar-lhe cinco dólares para seus filhos. "Lembranças a sua esposa, Benny. Diga que lembro bem dela." Visitar Marcus, insistindo que devo-lhe 10 pratas, ele insistindo que não, forçando-o a aceitar, repreendendo-o por sua memória ruim, contente em pagar 10 dólares por tal triunfo, um homem honesto, um grande homem, acertando velhas contas.

Então a última parada. Mas ela não está lá, outra garota está em seu lugar e o mundo está subitamente solitário e o sucesso de Bandini é vazio e incompleto. Mas ela tem que saber. Se ELA não souber, então não aconteceu. Mas todos estão taciturnos e ninguém sabe o que aconteceu a ela. Um suborno para a nova garçonete e consegui seu endereço. Eu vou até lá, conheço sua mãe - uma mulher como a minha mãe, doce mulher de coração partido vivendo em um barraco na quadra mexicana, mulher de rosto trágico dizendo-me que Camilla foi levada para Patton, o hospício. Choramos por isso e vou embora para Patton, mas eles não me deixam vê-la. Um mês depois ela é solta e vejo uma garota fantasma, terror em seus olhos e a solidão machucando. Queria uma coisa de mim - será que eu compraria um cachorro pra ela? E assim foi feito. Nós o chamamos Pancho e ela estava feliz com ele e nada mais, dormindo com ele, falando com ele, garota fantasma cuja fantasmice era uma doença e com o passar dos dias Pancho também virou um fantasma, um cão estranho com o olhar faminto e solitário como o de sua dona. Sempre ela chorava, sentávamos embaixo de um eucalipto em seu jardim e as lágrimas incontáveis caíam, Pancho uivava e seus olhos também pungiam, e eu soube que ela ainda amava Sammy. Então um dia chegou uma carta dele do deserto, queria que eu fosse lá e a pegasse e seu maldito cachorro, ela rodeava sua cabana como um mendigo pedindo migalhas de amor, ele não a suportava, que eu fosse lá buscá-la. Dirigi 100 milhas até lá. Ela se foi. Seu ford amarelo detonado, os pneus murchos, estava estacionado na estrada poeirenta em uma floresta. Onde estava ela? Sammy não sabia. Ele a mandara embora, jogara pedras no cachorro, ele estava cheio dela e não queria nem saber. E é isso, ninguém sabe. Seu carro ainda está lá, desnudado de pneus, tudo removível foi roubado. Ela se foi, engolida pelo deserto. Talvez alguém tenha a recolhido e levado de volta para o México. Talvez ela tenha voltado para Los Angeles e morrido em um quarto empoeirado. Tudo que sei é que ela se foi, o cachorro se foi, e não sobrou nada além da sua história que eu quero contar.

Tradução: Clarah Averbuck

29 July 2009

People keep telling me that I fall in love too easily- that I should protect my heart, that I shouldn’t wear my heart on my sleeve… I fall in love at least 20 times a day. I fall in love with the sky and the sun and the flowers and my children. I fall in love with smiles, with music on the radio and with french fries and Dr. Pepper. I fall in love with the sound of laughter, blue jeans, accents… Sometimes I fall in love with complete strangers, especially the ones holding hands and kissing in public. The ones who aren’t afraid to be in love with the idea of being in love either. I don’t mind the pain of unrequited love so much, because I think they’re wrong. Love looks good on me.

O Ventre Seco,

por Raduan Nassar.

Começo te dizendo que não tenho nada contra manipular, assim como não tenho nada contra ser manipulado; ser instrumento da vontade de terceiros é condição da existência, ninguém escapa a isso, e acho que as coisas, quando se passam desse jeito, se passam como não poderiam deixar de passar (a falta de recato não é minha, é da vida). Mas te advirto, Paula: a partir de agora, não conte mais comigo como tua ferramenta.

Você me deu muitas coisas, me cumulou de atenções (excedendo-se, por sinal), me ofereceu presentes, me entregou perdulariamente o teu corpo, tentou me arrastar pra lugares a que acabei não indo, e, não fosse minha feroz resistência, até pessoas das tuas relações você teria dividido comigo. Não quero discutir os motivos da tua generosidade, me limito a um formal agradecimento, recusando contudo, a todo risco, te fazer a credora que pode ainda chegar e me cobrar: "você não tem o direito de fazer isso". Fazer isso ou aquilo é problema meu, e não te devo explicações.

Nem foi preciso fazer um voto de pobreza, mas fiz há muito o voto de ignorância, e hoje, beirando os quarenta, estou fazendo também o meu voto de castidade. Você tem razão, Paula: não chego sequer a conservador, sou simplesmente um obscurantista. Mas deixe este obscurantista em paz, afinal, ele nunca se preocupou em fazer proselitismo.

E já que falo em proselitismo, devo te dizer também que não tenho nada contra esse feixe de reivindicações que você carrega, a tua questão feminista, essa outra do divórcio, e mais aquela do aborto, essas questões todas que "estão varrendo as bestas do caminho". E quando digo que não tenho nada contra, entenda bem, Paula, quero dizer simplesmente que não tenho nada a ver com tudo isso. Quer saber mais? Acho graça no ruído de jovens como você. Que tanto falam em liberdade? É preciso saber ouvir os gemidos da juventude: em geral, vocês reclamam é pela ausência de uma autoridade forte, mas eu, que nada tenho a impor, entenda isso, Paula, decididamente não quero te governar.

Sem suspeitar da tua precária superioridade, mais de uma vez você me atirou um desdenhoso "velho" na cara. Nunca te disse, te digo porém agora: me causa enjôo a juventude, me causa muito enjôo a tua juventude, será que preciso fazer um trejeito com a boca pra te dar a idéia clara do que estou dizendo? É bastante tranqüilo este depoimento, é sossegado, ao fazê-lo, me acredite, Paula, não me doem os cotovelos. Está muito certa aquela tua amiga frenética quando te diz que sou "incapaz de curtir gentes maravilhosas". Sou incapaz mesmo, não gosto de "gentes maravilhosas", não gosto de gente, para abreviar minhas preferências.

Você me levava a supor às vezes que o amor em nossos dias, a exemplo do bom senso em outros tempos, é a coisa mais bem dividida deste mundo. Aliás, só mesmo uma perfeita distribuição de afeto poderia explicar o arroubo corriqueiro a que todos se entregam com a simples menção deste sentimento. Um tanto constrangido por turvar a transparência dessa água, há muito que queria te dizer: vá que seja inquestionável, mas tenho todas as medidas cheias dos teus frívolos elogios do amor.

Farto também estou das tuas idéias claras e distintas a respeito de muitas outras coisas, e é só pra contrabalançar tua lucidez que confesso aqui minha confusão, mas não conclua daí qualquer sugestão de equilíbrio, menos ainda que eu esteja traindo uma suposta fé na "ordem", afinal, vai longe o tempo em que eu mesmo acreditava no propalado arranjo universal (que uns colocam no começo da história, e outros, como você, colocam no fim dela), e hoje, se ponho o olho fora da janela, além do incontido arroto, ainda fico espantado com este mundo simulado que não perde essa mania de fingir que está de pé.

Você pode continuar falando em nome da razão, Paula, embora até o obscurantista, que arranja (ironia!) essas idéias, saiba que a razão é muito mais humilde que certos racionalistas; você pode continuar carreando areia, pedra e tantas barras de ferro, Paula, embora qualquer criança também saiba que é sobre um chão movediço que você há de erguer teu edifício.

Pense uma vez sequer, Paula, na tua estranha atração por este "velho obscurantista", nos frêmitos roxos da tua carne, nessa tua obsessão pelo meu corpo, e, depois, nas prateleiras onde você arrumou com criterioso zelo todos os teus conceitos, encontre um lugar também para esta tua paixão, rejeitada na vida.

Sabe, Paula, ainda que sempre atenta à dobra mínima da minha língua, assim como ao movimento mais ínfimo do meu polegar, fazendo deste meu canto o ateliê do desenhista que ia no dia-a-dia emendando traço com traço, compondo, sem ser solicitada, o meu contorno, me mostrando no final o perfil de um moralista (que eu nunca soube se era agravo ou elogio), você deixou escapar a linha mestra que daria caráter ao teu rabisco. Estou falando de um risco tosco feito uma corda e que, embora invisível, é facilmente apreensível pelo lápis de alguns raros retratistas; estou falando da cicatriz sempre presente como estigma no rosto dos grandes indiferentes.

Não tente mais me contaminar com a tua febre, me inserir no teu contexto, me pregar tuas certezas, tuas convicções e outros remoinhos virulentos que te agitam a cabeça. Pouco se me dá, Paula, se mudam a mão de trânsito, as pedras do calçamento ou o nome da minha rua, afinal, já cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho, dou-lhe o meu silêncio.

No pardieiro que é este mundo, onde a sensibilidade, como de resto a consciência, não passa de uma insuspeitada degenerescência, certos espíritos só podiam mesmo se dar muito mal na vida; mas encontrei, Paula, esquivo, o meu abrigo: coração duro, homem maduro.

Não me telefone, não estacione mais o carro na porta do meu prédio, não mande terceiros me revelarem que você ainda existe, e nem tudo o mais que você faz de costume, pois recorrendo a esses expedientes você só consegue me aporrinhar. Versátil como você é, desempenhe mais este papel: o de mulher resignada que sai de vez do meu caminho.

Entenda, Paula: estou cansado, estou muito cansado, Paula, estou muito, mas muito, mas muito cansado, Paula. (Teu baby-doll, teus chinelos, tua escova de dentes, e outros apetrechos da tua toalete, deixei tudo numa sacola lá embaixo, é só mandar alguém pegar na portaria com o zelador.)

Ainda: "a velha aí do lado", a quem você se referia também como "a carcaça ressabiada", "o pacote de ossos", "a semente senil" e outras expressões exuberantes que o teu talento verbal sempre é capaz de forjar mesmo para falar das coisas mirradas da vida, nunca te revelei, Paula, te revelo agora: "aquele ventre seco" é minha mãe, faz anos que vivemos em kitchenettes separadas, ainda que ao lado uma da outra. Não seja tola, Paula, não estou te recriminando nada, sempre assisti com indiferença aos arremedos que você fazia da "bruxa velha, preparando a poção pra envenenar nossas relações". Te digo mais: você talvez tivesse razão, é provável que ela vivesse a espreitar minha porta das sombras da escadaria, é provável que ela do fundo dos corredores te olhasse "de um jeito maligno", é provável ainda que ela, matreira dentro do seu cubículo, te alcançasse todas as vezes que você saía através do olho mágico da sua porta. Mas contenha, Paula, a tua gula: você que, além de liberada e praticada, é também versada nas ciências ocultas dos tempos modernos, não vá lambuzar apressadamente o dedo na consciência das coisas; não fiz a revelação como quem te serve à mesa, não é um convite fecundo a interpretações que te faço, nem minha vida está pedindo esse desperdício. Quero antes lembrar o que minha mãe te dizia quando você, ao cruzar com ela, e "só pra tirar um sarro", perguntava maliciosamente por mim, te sugerindo eu agora a mesma prudência, se acaso amanhã teus amigos quiserem saber a meu respeito. Você pode dispensar "a ridícula solenidade da velha", mas não dispense o seu irrepreensível comedimento, responda como ela invariavelmente te respondia: "não conheço esse senhor".


Extraído do livro ""Menina a caminho", Companhia das Letras – São Paulo, 1997, pág. 61.

02 July 2009

Posso olhar pela fresta da janela que o que vejo não ainda será meu mundo. Meu é apenas o sentido de infinito que dou a isso, e com minhas palavras tenho assim meu próprio universo, minhas convenções.

Teu signo é vazio, sem sentindo. Não existe problema algum em nossa metafísica, em nossos mundos paralelos, mas os criamos e não suportamos a escuridão das noites e nem a liberdade do mar aberto a nossa frente. Nunca queremos estar sujeitos às tempestades.

O direito de sonhar e resistir é roubado de nós em nosso próprio cotidiano. Somos conscientes que a luz não nos pertence.

Não abandone sua essência, mas compreenda ser um humano no mundo, já que não possuímos o poder da verdade. Poderia caminhar sobre o abismo sem medo da dúvida e da confusão. Não vejo o mundo de forma límpida e não vejo a essência da verdade, caso ela exista. Só estou interpretando tudo, o sentido, a subjetividade.

Minha crítica é mercadoria, então o que eu ainda poderia ser?
Mercadoria disciplinada...

29 June 2009


"Olá borboletas, é sempre bom lhes reencontrar."

26 June 2009

"Clementine: Joely?
Joel: Yeah Tangerine?
Clementine: Am I ugly?
Joel: Uh-uh.
Clementine: When I was a kid, I thought I was. I can't believe I'm crying already. Sometimes I think people don't understand how lonely it is to be a kid, like you don't matter. So, I'm eight, and I have these toys, these dolls. My favorite is this ugly girl doll who I call Clementine, and I keep yelling at her, "You can't be ugly! Be pretty!" It's weird, like if I can transform her, I would magically change, too.
Joel: [kisses Clementine] You're pretty.
Clementine: Joely, don't ever leave me.
Joel: You're pretty... you're pretty... pretty..."

24 June 2009

Carta nº X

Querido,

Já faz tempo que não te escrevo, não!, digo, realmente, escrever.
É que por aqui as coisas são sempre as mesmas, você sabe, ou talvez não. Espero que esta te alcance, pois sei que não é de seu hábito manter longa estadia em lugar algum.
Você está longe, mas ainda é o seu sorriso que inspira minhas noites insones. Sete, uma para cada dia da semana, para cada uma das tuas cores que estão todas dentro de mim. Minha voz já não é a mesma, você não a reconheceria se pudesse escutar, às vezes penso que todos os meus sonhos não passaram de enganos, e às vezes, mas só às vezes, tenho vontade de me enterrar num trivial sem futilidades.

Por onde correm teus olhos nestes dias tão longos? Vê que já não conto o tempo, nem preciso fazê-lo para saber que se arrasta. Meu tempo sempre se arrasta e me dá a impressão de viver o mesmo tempo desde o início da consciência. Mas os instantes são breves, não é? Embora os dias sejam lentos, seus instantes são breves.

Tenho pena, tanta pena dos olhares jovens que encontro! Porque os jovens são facilmente explorados...Todos os jovens podiam ser artistas de nada. E eu arrasto rugas que o tempo ainda não me deu, tenho os ombros corcundas de carregar o marasmo.

Queria te ver. Já nem sei o que é do teu rosto sempre tão turvo, e me esqueço em teus dedos inábeis para o destino. Ou me engano, acaso não é você meu destino, vai ver destino é apenas mais uma distância, nota que as duas coisas se parecem, "todas as coisas se parecem", você dirá sem se parecer com nada.

Cruel você, mas eu também o sou. Estou só desde o primeiro dia em cheguei acompanhada de uma paixão que me tomou, me sufocou, dizimou e se mostrou não pertencer a mim.
Sabe, pouco me aguento em cronologias, há um monte de complexos no meu colchão, talvez devesse trocá-los por um livro que os pudesse explicar, que acha?

Quero olhos nas minhas paredes, no meu espelho, mas que olhos me quereriam avistar? Tenho saudades que só se entendem em linhas de poesia e em mudas canções inacabadas. Existem coisas em mim que só se resumem na falta de. Parece bobagem, mas a distância percorrida pelos pés me assusta, tenho vergonha deles. Dos meus e dos seus.
Estou cansada de sentir medo, vergonha. Vai saber o dia não se resolve apático.

M.

22 June 2009

Não gosto quando isso acontece. E isso não acontecia há muito tempo.
Deve ser minha incrível capacidade para querer o impossível.
A pior coisa. Aquela fadada a dar errado e causar caos e mágoa.



Mas não seria eu mesma se não fosse eu querendo o impossível.

17 June 2009

"Dunce"

Acho que eu ainda penso muito naquilo.
Ainda sinto muita falta do 'se'. Se a gente não tivesse dito adeus aquele dia. Se não houvesse tanto medo e tanto peso para carregar.
Nos vários talvez.
No que não foi dito. Ou o que foi dito demais.

Estava lembrando das madrugadas. Acho que era muito mais frias que qualquer outras que me lembre, ou talvez seja o eco do que sentia que me faz lembrar delas assim, glaciais.

De quando joguei tudo pro alto e fui. E quando você fugiu e se arrependeu.
E falou que você era exatamente como a música.

É, eu ainda penso demais nisso.




Dunce

Voltaire

I break the silence with my voice
and everyone turns around
to see the source of all the noise
and here i stand

its not as thought i mean to upset you
with the things i say and do
i should know better but i said so anyway

its easier to play a part
and read your lines
than freely speak what's
in your heart and in your mind
Is it me?
who says these things that so offend you?
Innapropriate and loud

i'd say I'm sorry
but it's hard to speak
with both feet in your mouth

all hail the king of dunces
You best hold on
I'm opening up my mouth
bring out the maypole
and tie up and shut me out
devil knows what possessed me
to shoot my arrow straight into the sky
string me to the mast and
hoist me up and hang me high
i put no blame on you
i brought this all upon myself
it's just this thing i do
at times like this
i wish i was someone else

there's a lever inside head
between my mouth and my brain
keeps me from hearing
what i've said until its too late
now it's too late
smear my lips with vaseline
because i'm a vocal libertine
I try to explain but even
i'm not quite sure what i mean

all hail the king of dunces
You best hold on
I'm opening up my mouth
bring out the maypole
and tie up and shut me out
devil knows what possessed me
to shoot my arrow straight into the sky
string me to the mast and
hoist me up and hang me high
i put no blame on you
i brought this all upon myself
it's just this thing i do
at times like this
i wish i was someone else

I don't know what to say
i was only trying to make you smile
and bring some needed levity
to your world for a while
i never meant to make you cry
but i did it all by myself
its just this thing i do
at times like this
i wish i was someone else

All hail the king of dunces...

All hail the king of fools
This boy's been bad
let's keep him after school
send me to the blackboard
and write a hundred times "i am the dunce"
devil knows what possessed me
to shut my mind and open up my mouth
string me to the anchor
and watch me drown in myself
Algumas músicas, e cd's inteiros, eu costumo associar a livros que estou lendo. Untouchables, do Korn, é um desses casos. Quando foi lançado fiquei escutando milhões de vezes enquanto lia os dois volumes do "A Hora das Bruxas", Anne Rice. Hoje quando escuto alguma música desse cd não tem como não lembrar da história.

Se não me engano esse livro não é mais editado. Uma das loucuras da autora depois de virar protestante foi não editar mais os livros dos quais ela detinha o direito (Anne Rice hoje em dia escreve sobre Jesus Cristo ao invés de seus clássicos vampiros e outros seres míticos) e aparentemente o A Hora das Bruxas é um desses livros...
Mas se quiser dá uma olhada: http://maisbook.blogspot.com/2008/09/hora-das-bruxas-volume-i-ii-anne-rice.html

Aliás, para quem gosta de Korn, o Untouchables é um dos últimos cd's que eles lançaram que eu gosto, e que vale a pena escutar inteiro.



Hollow Life
Korn

Beating the fall
I can’t help but desire of falling down this time
Deep in this hole of my making I can't escape
Falling all this time

We come to this place
Falling through time
Living a hollow life
Always we're taking
Waiting for signs
Hollow lives...

Fearing to fall and
Still the ground below me calls
Falling down this time
Ripping apart all
These things I have tried to stop
Falling all this time

We come to this place
Falling through time
Living a hollow life
Always we're taking
Waiting for signs
Hollow lives...

Is there ever any wonder why we look to the sky?
Search in vane?
Asking why?
All alone?
Where is God?
Looking down?
We don’t know?

We fall in space,
We can't look down,
Death may come
Peace I have found
What to say?
Am I alive,
Am I asleep?
Am for I died

(Wanting Peace)
We fall in space
(Wanting Peace)
We can't look down,
Death may come,
(Something takes a hold of me)
Peace I have found
(Something takes a hold of me)
I want to say my whole life,
Am I asleep?
We fall down.

We come to this place
Falling through time,
Living a hollow life,
Always we're taking
Waiting for signs,
Hollow lives...

Is there ever any wonder why we look to the sky?
Search in vane?
Asking why?
All alone?
Where is God?
Looking down?
We don’t know?

We fall in space
We can't look down
Death may come.
Peace I have found

25 May 2009

Elis Regina cantando "Atrás da Porta" é tão lindo, tão lindo... e me trás tantas lembranças. Engraçado como as coisas passam, mas as sensações continuam forte mesmo depois de tanto tempo.

Quando escuto essa música parece que sou eu ali chorando de novo e tentando "provar que ainda sou tua".

07 May 2009

"Yeah, you're sorry, I'm sorry, everybody's sorry, but... I can't do this anymore.
I can't.
And I won't."

29 April 2009

Makes da Sephora?
Sim, por favor, e embala para viagem!

Isso é tão "Delírios de Consumo de Becky Bloom"...

22 April 2009

Lenine me deixa nostálgica. Muito.

Distantes Demais
Lenine

Somos somente a fotografia.
Dois navegantes perdidos no cais
Distantes demais.

Somos instantes, palavras, poesia
Dois delirantes ficando reais
Distantes demais

Noites de sol, loucos de amar,
Quem poderia nos alcançar.
Eu e você, sem perceber,
Fomos ficando iguais,
Longe,
Distantes demais

14 April 2009

Eu sou assim um pouco obsessiva demais sabe...
Quando gosto, gosto muito, e quando não...

E o que acontece hein? Não entendo.
E nem quero.

16 March 2009

*content deleted*

05 March 2009

Hamster

11 February 2009

Meu novo vício: http://blip.fm/aggressive ^_^
Muito bom poder fazer uma playlist sem precisar dar upload e ficar horas procurando músicas. Apesar de não achar 100¢ do que gostaria de escutar por lá, acho pelo menos uns 80¢, o que já acho muito bom.

Incrível como coisas bobas como música, ou compras, me deixam TÃO bem e relaxada. Diria até feliz.

30 January 2009

Almost Blue com Chet Baker me faz querer ser outra pessoa em outro lugar.

Arrepios.

A música mais linda que já escutei.

Almost blue
Almost doing things we used to do
There's a girl here and she's almost you
Almost
All the things that your eyes once promised
I see in hers too
Now your eyes are red from crying

Almost blue
Flirting with this disaster became me
It named me as the fool who only aimed to be

Almost blue
It's almost touching it will almost do
There's a part of me that's always true... always

Not all good things come to an end now, it is only a chosen few
I have seen such an unhappy couple

Almost me

Almost you

Almost blue
Oh my, como eu não suporto ciúmes e sentimento de posso.
Acho que nunca vou aprender a lidar com essas coisas.
Mas POR QUE as pessoas insistem em ter esses sentimentos tão destrutivos?

19 January 2009

Gosto de sentar na mesa da lanchonete, meu café quente, ler jornal sem muita pressa.
Gosto de me divertir com amigos e pessoas legais numa tarde de chuva, comendo muito e falando besteira.
Simples como deveria ser.

É o que tenho de suave, e me faz tão mal.

14 January 2009

Depois ainda perguntam por que falo o que costumo falar, por que penso essas coisas, por que tenho esse instinto assassino homicida-suicida.
Por que?
Porque a vida é nada.

02 January 2009

É ano novo de novo e não sinto nenhuma diferença. Nem preciso, mas não sinto necessidade mais em fazer desse rito algo realmente significativo. Amadurecer é duro para quem se deixa crescer e afastar os mitos de perfeição da vida humana.
O bom são meus amigos perto.

se eu pudesse pedir algo para esse ano novo seria que os fantasmas dos natais passados parassem de tentar aparecer de novo: vocês não tem mais espaçao e eu sempre os vejo por aqui.

24 December 2008


I hate christmas!!!

23 December 2008

Tem coisas que só uma música pode falar sem parecer agressiva demais.
E a música dos últimos tempos tem sido:


Hoje eu Quero Sair Só

Lenine

Se você quer me seguir
Não é seguro
Você não quer me trancar
Num quarto escuro
Às vezes parece até
Que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só...

Você não vai me acertar
À queima-roupa
Vem cá, me deixa fugir
Me beija a bôca
Às vezes parece até
Que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só...

Não demora eu tô de volta
(Tchau!)
Vai ver se eu tô lá na esquina
Devo estar!
(Tchau!)
Já deu minha hora
E eu não posso ficar
(Tchau!)
A lua me chama
Eu tenho que ir prá rua
(Tchau!)
A lua me chama
Eu tenho que ir prá rua...

Hoje eu quero sair só!
Hoje eu quero sair só!
Hoje eu quero sair só!

Huuuum!
Você não vai me acertar
À queima-roupa, naum!
Vem cá, me deixa fugir
Me beija a bôca
Às vezes parece até
Que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só...

Não demora eu tô de volta
(Tchau!)
Vai ver se eu tô lá na esquina
Devo estar!
(Tchau!)
Já deu minha hora
E eu não posso ficar
(Tchau!)
A lua me chama
Eu tenho que ir prá rua
(Tchau!)
A lua me chama
Eu tenho que ir prá rua
(Tchau!)

Vai ver se eu tô lá na esquina
Devo estar!
(Tchau!)
Já deu minha hora
E eu não posso ficar
(Tchau!)
A lua me chama
Eu tenho que ir prá rua
(Tchau!)
A lua me chama, chama...

Hoje eu quero sair só!
Hoje eu quero sair só!
Hoje eu quero sair só!
Hoje eu quero sair só!
Tchau! Tchau!
Tchau! Tchau!

A lua me chama
(Tchau!)
Eu tenho que ir prá rua
(Tchau!)
A lua me chama
Eu tenho que ir prá rua...

Hoje eu quero sair só!
Hoje eu quero sair só!
Hoje eu quero sair só!
Hoje eu quero sair só!
Queria ser Scarlett O'Hara.

22 December 2008

ainda fico arrepiada quando escuto Change.

Supermassive Black Hole

Muito estranho esses sonhos, ainda mais porque não quero sonhar com isso há muito tempo. Já quis, agora não quero mais. É mais um dos meus modos de fuga, talvez por isso eu durma tanto, que eu viva com sono. Anyway, esse não é realmente o caso. Queria que simplesmente parasse.
Estou com medo, de novo. As coisas se mostram cíclicas, cada vez mais sérias. Antes tudo não passava de brincadeira. Agora... sei lá. Não deixa de ser também, mas não sei como fazer desse jeito. Deixar acontecer. Eu quero, muito, acho que realmente deixaria tudo para trás, mas não sei se depois aguentaria. Adoraria novamente a chance da folha em branco diante das minhas mãos e meus pés na estrada sem rumo. Mas sou certinha demais para me deixar ir ao sabor do vento. Certinha no sentido de medrosa, tenho que assumir. Sinto-me muito responsável por assuntos dos outros, como a própria vida deles ou sua saúde e felicidade. Sabe-se lá onde deixei a minha por conta disso. Vejo-me tornando cada dia mais amarga e fria por causa disso: cuidar e amar jamais deveria ser uma obrigação, acho que era para ser mais autruísta e legitimo que chantagens baratas de seriados baratos de tv.
Talvez deja por isso que esses sonhos idiotas andam me rondando, antes eu fazia isso também, aliás, sempre fiz, mas foi quando tomei consciência que fazia e quis parar. Nunca consegui. Deixei minha oportunidade de ir para fora por causa dos meus pais, esses mesmo que não ligam se eu levo uma vidinha miserável perto do que estava me esperando apenas para que eu atenda as necessidades dele. Ó, claro, quando eles morrerem poderei ter minha vida de volta. Sei.


Adoro falar coisas que ninguém entende.

17 December 2008

Acho que meio é isso, a tensão entre a responsabilidade e a liberdade.
Tenho uma idéia meio boba, mais uma desculpa para ir embora, só que agora sem nenhum embasamento. Queria ir para bem longe, mas sei o quanto é complicado e dolorido. Sou uma medrosa, e meu maior medo é de mim mesma sozinha. A imagem que ainda guardo é o 12º andar, a cidade inteira brilhando na minha varanda, as árvorezinhas lá embaixo e um rascunho mental de como eu ficaria se me jogasse dali. Sabe, medo. Covardia mesmo.

11 December 2008

Sunset Moon


a luz laranja vinha filtrada pelas folhas e pelas flores, no fim de tarde era inebriante o cheiro, quase enjoativo, mas não havia como não ficar arrepiada toda vez que o sol de punha deixando tudo âmbar, com aroma de flores, o vento leve dando nós nos cabelos. sentada no meio fio olhando e imaginando outra realidade, ou outras várias. uma de filme, uma bonita. gosto de pensar que estou sendo observada e que o desfecho feliz está quase para se confirmar. quase.
caminhando pela rua abaixo ainda sentindo o vento, ainda sentindo o cheiro, ainda sentindo o resto de calor do sol que se pôs pintando tudo de rosa, a lua do outro lado do céu brigando com as cores claras demais e vendo que ainda não é seu palco ideal. na maior parte do tempo a entendo, sinto-me fora de curso, inapropriada como tal lua que teima em tentar reinar perante o sol a se pôr. as crianças gritando e correndo, as pessoas apressadas para voltar para casa no fim de tarde, cansadas e nem prestando atenção no espetáculo. na maioria das vezes eu também não presto atenção, mas quando consigo perceber ao redor tudo me atinge com uma força desproporcional e me sinto como se a gravidade estive se aplicando com mais força sobre mim. tudo é tão simples e tão profundo e tão tão... belo que dói. na vida real ninguém repara nessas coisas quando se tem tantos problemas, contas, chefes, gritos, trânsito, dinheiro, chuva, computador. por isso fantasio ser um filme, um romance simples e fácil de ver, daqueles que a gente sai sorrindo e se sentindo mais leve por um tempo, para depois começar a se preocupar de novo. no meu romance obviamente sou a mocinha esperando, não que eu seja boa ou frágil ou ideológica ou qualquer coisa que as mocinhas de filme costumam ser, sou eu porque sou eu quem sonho e espero - o que sei fazer de melhor. a música que deveria ser onipresente vem dos fones de ouvido, minha trilha sonora.
é bonito isso, perceber um pedaço de poesia pura no meio da minha vida.
vou sentir falta desses momentos quando tiver que ir embora.

09 December 2008

Dejà vu.

03 December 2008

Bem, ao menos nós dois pareciamos um casal bonito.

02 December 2008

Playlist - 21:30, 02,12,2008

Aka, Prova "A"



Ludwig van Beethoven - Sonata ao Luar
Ludwig van Beethoven - Fur elise
Wolfgang Amadeus Mozart - Requiem - Lacrimosa dies illa
Wolfgang Amadeus Mozart - Requiem - Dies irae
Claude Debussy - Arabesque #1
Claude Debussy - Prélude à l'après-midi d'un faune
Claude Debussy - L'après-midi d'une faune
Claude Debussy - Clair de Lune
Claude Debussy - La Mer -movement 1- Abbado Lucerne
Claude Debussy - Reverie
Johann Pachelbel - Canon in D Major
Richard Wagner - Lohengrin Prelude
Richard Wagner - Siegfried funeral march
Richard Wagner - Walkürenritt
Richard Wagner - Parsifal Prelude
Richard Wagner - Tristan & Isolde Prelude

Moonlight Sonata

andei me esquecendo o quanto eu gosto de coisas mais clássicas, piano.
sonata ao luar faz meu coração ficar minúsculo, mas é tão linda... a impressão que tenho é de flutuar em meio a flocos de gelo, muito frio e muito escuro, mas nada além disso para se preocupar. as notas tão perfeitas guiam o caminho, mesmo de olhos fechados, e apenas a luz baça faz com que tudo não seja nada além de negro.
nessas horas eu queria ter aprendido a tocar piano, piano piano mesmo, não teclado ou genérico do tipo.

imagens.
pequenos flocos de neve descendo e rodopiando, derretendo na pele que se esquenta com alguma emoção indistinguível. e se realmente há lua, é lua nova.

26 November 2008

acho realmente que alguém devia perceber o quão louca estou e me internar. isso não pode ser normal, esse eterno abismo que me sinto caindo, até mesmo quando as coisas vão bem, ou não ter qualquer motivação para qualquer coisa que não seja uma fuga. sem expectativas para nada, nunca. sempre querendo mais, mesmo quando não sei o que, ou querendo aquilo que jamais vou poder possuir, viver, assimilar, tocar.
um enorme buraco que so aumenta, onde as bordas cedem constantemente, com qualquer pressão ou oscilação.
só queria que isso parasse.

17 November 2008

Acho que perdi, não sei onde, aquela cola estranha para colar os pedacinhos. Das coisas, de mim.

10 November 2008

Meu humor anda horrível. idéias idiotas rondando minha cabeça, sentimentos que não combinam mais com isso tudo. sinto-me uma criança sem saber como agir. querendo ser outra pessoa completamente diferente de mim. mais esperta, mais inteligente, menos estranha, mais sagaz. sei lá, diferente apenas. é como se o mundo girasse em uma direção, mas meu senso está tão caótico que eu me sinto na direção contrário, e isso me causa uma vertigem absurda, sem saber onde estão meus pés ou onde fica o chão. desorientação. argh.

05 November 2008

Eu sou tão estabanada, desastrada, desatenta que eu realmente tenho certeza que nunca vou sair disso, nunca vou conseguir nada de verdade na minha vida.
Queria ser um pouco melhor apenas.
Estranho como me sinto triste quando penso nisso ainda. É como se tivéssemos algo muito importante, mas não conseguimos chegar nem perto.
Estranho como coisas estranhas, esquisitas, deliciosamente fora de contexto me fazem lembrar daqueles cabelos estrategicamente descabelados e outros detalhes deveras marcantes.
Estranho pensar que o nunca mais se aplica nesse caso, mas ninguém morreu, ainda.

03 November 2008

eu tenho tanta raiva ainda guardada dentro de mim que tenho medo de quando eu não puder mais represar isso.
queria tanto que a vida fosse simples, e eu menos covarde de perder quem não possuo.

29 October 2008

Remexendo em links antigos achei meu blog de 2003.
Nossa, como tudo mudou.
Como tudo continua exatamente igual.

Pequeno


"Ninguém compreende que o comum não é mais que uma fachada, um personagem de comédia, e que o resto está escondido e há que se mostrar.
Outra coisa sobre a que me é impossível escrever: os que estancaram suas vidas e optaram por viver na superfície, continuar fiéis às idéias, à música, aos livros que conheciam aos 20 anos, os que têm um sentido de humor trancado, uma superfície esmaltada, decorada, que exclui todo o reconhecimento de tragédia inclusive quando recai sobre si próprios, que estão empenhados em neutralizar as desordens profundas, as crises, os desejos insatisfeitos.
Não quero escalar estes muros. Construíram o no medo e o que está enterrado já está deteriorado.
A órbita dessas pessoas é pequena, definida. Pode ser que me agradem como seres humanos, mas para mim são como os intocáveis. Não foram marcados pelos grandes mistérios da vida, nem por tormentas ou grandes momentos."

Anais Nïn

28 October 2008

Sono sono sono sono.
Muito sono.
Muito quente.
Muito ruim.
Por mim dormia até cansar, e depois mais um pouco, pra descansar.
Eu e meus filhos, num lugar bonito e fresco.

06 October 2008

Tanto sangue em vão

Tem essas músicas que me fazem voltar no tempo, muito tempo... 1996 foi um ano ruim.
Foi um ano de dor e drama, foi o ínicio disso tudo, meu prelúdio.
Uma outra vida... tão longe, tão nova, tão doce, tão crédula. Tão eu.

Era um sofrimento que eu não sabia de onde vinha, e vinha de mim. Tenho a impressão de que tudo era extremo naquele tempo, ou os dias quentes e claros demais, ou frios e cinzas, molhados, com cheiro de incenso. Com gosto salgado. Com danças na chuva, com suor na pele bronzeada. Extremos.

Posso quase dizer que sou o negativo daqueles dias, ou aqueles dias são o negativo de quem sou hoje. Ainda não me decidi quem ser de verdade.

Lembro das tentativas de viver um passado, uma outra vida dentro dessa vida, que agora são milhares passadas.

As velas, as sombras, as noites, as vozes, os gostos, as vontades. Moíses e o cordeiro em cima do monte para serem imolados sobre as tábuas que não salvam ninguém.

As músicas.



Tem músicas que me fazem voltar no tempo. Há muito tempo...





Acrilic on Canvas

Legião Urbana

É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são

Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez

E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição

Às vezes é difícil esquecer:
"Sinto muito, ela não mora mais aqui"
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De "amor-perfeito"
E "não-te-esqueças-de-mim"

02 October 2008

Não sei porque hoje pensei nisso, aliás, nem é de hoje que penso, mas foi apenas hoje que procurei como fazer: Doação de Medula Óssea.

Um tempo atrás tentei doar sangue, mas descobri que não posso por causa de uma maldita anemia genética que tenho, além do fato de quase nunca ter o peso mínimo... Coisas factíveis bizarras da minha vida e compleição física. Não é por querer ser algo como heroína nem nada disso, acho que fazer essas coisas deveria ser normal. Que nem cortar unha, cabelo, pagar impostos... Ok, a maioria das pessoas só pára para pensar nisso quando está ou tem alguém conhecido precisando e eu quero antecipar a necessidade de alguém, ou minha, vá saber.

Mas sabe, no fundo eu realmente queria ajudar alguém. Sem julgar merecimentos. Mais ou menos aquela coisa de ser bom por ser ingênuo, anonimato.

Não sei se vou poder doar, mas irei ao hemocentro fazer o exame para ver se posso. E realmente? Espero que sim. Eu tenho medo da punção e tal, deve doer pra caralho, mas foda-se, porque se eu precisar fazer isso é porque alguém está sofrendo bem mais que eu. Quero alguém para me acompanhar, quem topa?




Aqui umas informações bem interessantes sobre a doação em si, retiradas de uma entrevista do Dr. Drauzio Varella com a Dra. Carmen Vergueiro, que é hematologista e membro da AMEO (Associação de Medula Óssea):

"Drauzio – Como se doa a medula óssea?
Carmen Vergueiro –Existem duas formas de doar a medula óssea: por punção de veia periférica para filtração das células-mãe, as células progenitoras, através de um aparelho ou puncionando a medula diretamente da cavidade do osso.

Drauzio – Como é feita a doação por punção da veia periférica?
Carmen Vergueiro - É um procedimento parecido com o de doar plaquetas do sangue. Antes o doador recebe um medicamento que estimula a produção de células brancas, principalmente de células progenitoras imaturas, que migram da medula óssea para as veias. Cinco dias depois, seu sangue passa por uma máquina semelhante à de diálise, onde é filtrado para coletar essas células. Em média quatro horas de filtração bastam para conseguir a quantidade necessária de material que será processado e levado para o paciente que precisa do transplante.

Drauzio – Esse procedimento dura, em geral, quatro horas. O doador sente algum desconforto?
Carmen Vergueiro – Algum desconforto pode ocorrer quando ele faz uso do estimulante para produzir mais células progenitoras. São sintomas semelhantes ao de uma gripe, um mal-estar que cede com qualquer analgésico.

Drauzio – Durante a filtração das células progenitoras, o doador corre algum risco?
Carmen Vergueiro –Não corre nenhum risco nem sente qualquer desconforto. É um procedimento realizado há mais de 20 anos, e nunca houve nenhum acidente com o doador.

Drauzio – Você disse que são dois métodos. Um é retirar as células progenitoras do sangue periférico. E o outro?
Carmen Vergueiro – O outro é puncionar diretamente a medula óssea do osso, do tutano, como você disse. Usando seringa e agulha, são feitas punções no osso do quadril para aspirar o material que contém as células progenitoras do sangue. Nesse caso, o doador é anestesiado para que não sinta dor. Esse procedimento dura 40 minutos.

Drauzio – Quem pode ser doador de medula óssea?
Carmen Vergueiro – Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos, em bom estado de saúde, pode ser doadora de medula óssea. Não existe nenhum outro critério para exclusão.

Drauzio – Não são excluídas pessoas que tiveram hepatite nem as portadoras do vírus HIV?
Carmen Vergueiro – A princípio, não. Pede-se apenas que a pessoa tenha boa saúde. A sorologia não é importante no momento em que entra no programa, pois a probabilidade é que, em cada dez mil, só uma seja doadora, talvez vários anos depois de ter-se inscrito como voluntária.
O importante é saber como ela está clinicamente na hora de doar. Só, então, se irá avaliar, por exemplo, se a hepatite representa um risco tão grande quanto o benefício de receber um transplante de medula óssea."

O resto da entrevista aqui: http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/doacaomedula.asp

17 September 2008

Os shows do Nine Inch Nails no Brasíl foram CANCELADOS.
Cu.

Sem motivo algum, até agora.
jsdtwrnvo buet8478534¢¬¢££

03 September 2008

Heart-Shaped Glasses


Eu quero um desses. O problema é encontrar para vender e que não seja vagabundo.



Também quero ISSO:


Oh!

01 September 2008

As festas andam sendo uma merda, mas as companhias compensão,apesar das pessoas interativas. A cervezaaa também compensa, ainda mais as importadas, Alê e Mário andam me acostumando pessimamente.

Machuquei o joelho e estou toda dolorida, até hoje. Isso que dá parar de dançar.
Decidi não ter nem raiva e nem nada por pessoas. Ignorá-las tacitamente. Pessoas andam me causando nojinho, com raras excessões.

Nojo, dó, raiva, ecat.

27 August 2008

Parece que quando uma coisa começa a dar errado, o resto inteiro tende a desabar.

12 August 2008

Almost Lovers

Almost Lover
A Fine Frenzy

You fingertips across my skin
The palm trees swaying in the wind
Images

You sang me Spanish lullabies
The sweetest sadness in your eyes
Clever trick

I never want to see you unhappy
I thought you'd want the same for me

Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
I should've known you'd bring me heartache
Almost lovers always do

We walked along a crowded street
You took my hand and danced with me
Images

And when you left you kissed my lips
You told me you'd never ever forget these images, no

I never want to see you unhappy
I thought you'd want the same for me

Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
I should've known you'd bring me heartache
Almost lovers always do

I cannot go to the ocean
I cannot drive the streets at night
I cannot wake up in the morning
Without you on my mind
So you're gone and I'm haunted
And I bet you are just fine
Did I make it that easy for you
To walk right in and out of my life?

Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
I should've known you'd bring me heartache
Almost lovers always do






Porque "almost" é sempre uma palavra muito dura, muito triste, azul.

05 August 2008



Creep
Stone Temple Pilots

Forward yesterday
Makes me wanna stay
What they said was real
Makes me wanna steal
Livin' under house
Guess I'm livin', I'm a mouse
All's I gots is time
Got no meaning, just a rhyme

Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal
Take time with a wounded hand
'Cause I like to steal
Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal, I like to steal

I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
Well, I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
Well, I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
Well, I'm half the man I used to be, half the man I used to be

Feelin' uninspired
Think I'll start a fire
Everybody run
Bobby's got a gun
Think you're kinda neat
Then she tells me I'm a creep
Friends don't mean a thing
Guess I'll leave it up to me

Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal
Take time with a wounded hand
Guess I like to steal
Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal, I like to steal

I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
I'm half the man I used to be, half the man I used to be

Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal
Take time with a wounded hand
Guess I like to steal
Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal, I like to steal

I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
Well, I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
Well, I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
Well, I'm half the man I used to be, half the man I used to be,
Half the man I used to be

04 August 2008

É díficil saber quando - nunca sei.
Mas toda vez é um estalo: o baque me retira do que eu acreditava ser o centro.
E mesmo parecendo que não eu desaprendi a falar, fazer, chamar. Mas não a ver.
(e eu fico imaginando coisas, os olhos seguindo pela rua escura, o eterno filme que nunca termina para minha platéia obscura).


O resto passou melhor do que eu estou acostumada - na cama a manta de microfibra vermelha mais macia que já tive, os abraços mais quentes e ternos que encontrei.
Acho que essa era a vida que sempre quis, agora até tenho, quando não vejo tudo vermelho e tenho vontade de mandar tudo pro inferno.

Eu nunca tinha escutado essa música de aproveitar antes da tragédia, mas eu sempre soube disso...

25 July 2008

Preciso dar um jeito nos meus hormônios.
Eles estão insaaanos hoje.
Se pá é até melhor eu não sair, senão faria merdas homéricas.
=D
Gosto pouco, sabe.

Estou no espírito de Sabina.
Cu cu cu cu.

Odeio.
Vontade de espancar. Matar. Trucidar. Destruir.
Existem seres que conseguem me deixar raivosa mesmo quando estou completamente triste.

Cu cu cu cu.

Quero sair para dançar, mas como eu não saio mais, nem sei para onde. Não e não danço.
Quero ir para São Paulo encontrar minhas meninas. E sair. E tomar tequila até a Conchita aparecer. E aprontar no banheiro da Toy. Porque esse fim de semana tem festa do jeito que gosto na Toy. Com EBM, Industrial e outras darkisses, e lá eu encho o saco dos Dj's e eles sempre tocam o que peço ou morrem. =~

Eu quero sair!!!

E essa música é tão linda e tão triste que só me dá mais vontade ainda de ir ver meu amores, que só verei de novo em novembro, no show do NIN (pelo menos já comprei os ingressos!) Me lembra quando eu estava ainda na escola... 1998. 10 anos. Oh God!


My Friends
Red Hot Chili Peppers

My friends are so depressed
I feel the question
Of your loneliness
Confide... `cause I'll be on your side
You know I will, you know I will

X Girlfriend called me up
Alone and desperate
On the prison phone
They want... to give her 7 years
For being sad

I love all of you
Hurt by the cold
So hard and lonely too
When you don't know yourself

My friends are so distressed
And standing on
The brink of emptiness
No words... I know of to express
This emptiness

I love all of you
Hurt by the cold
So hard and lonely too
When you don't know yourself

Imagine me taught by tragedy
Release is peace
I heard a little girl
And what she said
Was something beautiful
To give... your love
No matter what
is what she said
Às vezes é sem motivo. Na maior parte das vezes.
Ficar triste assim não deveria existir. Tenho vontade de desistir.

18 July 2008

Fundo do Baú

Não guardo rancor. Não existe ressentimento em mim. Aperta a minha mão, puxa uma cadeira e senta aí. Podemos ser amigos . Mas não chega muito perto, não senta do meu lado. Não me olha por muito tempo. Não me olha nos olhos.
Você quis me esquecer. Acontece. Não guardo rancor. Mas não posso te deixar chegar muito perto.
Você não.
Sabe, eu te disse para pisar em mim se quisesse. E você pisou. E eu tive que levantar e caminhar para bem longe, toda fodida de esperar no chão gelado. Então não chega muito perto, não olha nos meus olhos. Porque ao menor sinal, me atiro no chão. Basta um sorriso seu para que comece tudo de novo. Nunca foi tão fácil.
Então fique bem longe de mim. Não quero saber de cotovelos encostando nem sobre suas alvoradas, não quero sentir o teu calor. Podemos sentar e beber amenidades com os outros, mas não me olha.
Deixa a tristeza do que não fomos sentar entre nós. Porque se ela for embora, se ela me deixar por dois segundos, minha certeza vai junto e eu fico de novo aos teus pés.
Não guardo rancor. Não existe mágoa em mim.
Mas fica longe.
Fica bem longe

17 July 2008

Uma Valsa no Inferno

"Ele tem me amado; ah, eu sou o seu amor. Tenho tudo que poderia ter dele, as camadas mais secretas de ser, tais palavras, tais sentimentos, tais olhares, tais carícias, cada uma delas chamejando para mim unicamente. Tenho-o sentido embalado por minha suavidade, exultante com meu amor, apaixonado, possessivo, ciumento. Tenho crescido para ele, não fisicamente, mas como uma visão. Do que ele se lembra mais vividamente de nossos momentos juntos? A tarde em que permaneceu sobre o sofá em meu quarto enquanto eu terminava de me vestir para um jantar, com meu vestido oriental verde-escuro, perfumando-me, e ele, tomado de uma sensação de viver um conto de fadas, com um véu entre ele e eu, a princesa! É disso que ele se lembra enquanto estou deitada com o corpo quente em seus braços. Ilusões e sonhos. O sangue que ele derrama dentro de mim com gemidos de prazer, as mordidas em minha carne, meu odor em seus dedos, tudo isso desaparece diante da potência do conto de fadas."
Anaïs Nin


"Impedir que este desejo aconteça e se satisfaça reciprocamente entre as partes envolvidas é impedir que as pequenas porções de vida que somos não exerçam em plenitude o próprio processo de viver. Em outras palavras: negar o sexo é negar a própria vida. E como enxergamos, a satisfação do impulso sexual não obedece a leis plenamente conhecidas, e duvidamos mesmo que haja leis capazes de explicar como nasce e se satisfaz este impulso."

Trecho de "Liber II: De Re Sexualiatis et Voluptate ut Potestatem (ou, sobre o caráter da sexualidade e do desejo como potência)" da G.O.B.













































às vezes é tanto, outras nada. e nem por isso acaba.

11 July 2008

Um bicho selvagem adormecido no fundo, se revirando, acordando.
Sonhos.
Um apartamento pequeno, muita doçura, amor, saudade, culpa, perdão.
Sonhos.
Uma outra realidade. Um sopro gostoso. Uma saudade. A escuridão.
Sonho.
Os olhos pequenos, úmidos. Só enxergo negro. Não há choro.
O doce flutuar por entre as nuvens e assistir ao futuro que nunca se concretizará.
A realidade distorcida entre minhas lembranças e minhas vontades. Como foi e como gostaria que tivesse sido.

Não preciso de mais que uma hora para me lembrar de tudo, mas nem isso apaga a vontade de. De o que? Novamente. O que? A dor. Toda dor.
Queria um sinal, alguma pista jogada na frente da minha casa, um papel trazido pelo vento. Um palavra.

09 July 2008

Réquiem

Pensei em falar "Quando eu tinha 19 anos..." mas isso faz muito tempo. Outra vida. Com fantasmas que me visitam às vezes em realidades que invento.
Às vezes penso se eu estivesse morrendo meus amores viriam até mim? Meus amores antigos, aqueles que mais doeram, diriam adeus de verdade ou me deixariam partir como um dia me deixaram.

Posso dizer que estou morrendo, mas os finais e os adeus eu já os tive antes.


Existe um instrumento chamado quena, que é feito de ossos humanos. Tem origem no culto de um índio dedicou à sua amante. Quando ela morreu ele fez dos seus ossos uma flauta. A quena tem um som mais penetrante, mais persistente que a flauta vulgar.

Aqueles que escrevem sabem o processo. Pensei nisto enquanto cuspia meu coração.

Só que não estou à espera da morte do meu amor.

Estou doente de persistência de imagens, reflexos e espelhos. Eu sou uma mulher com olhos de gato siamês que por detrás das palavras mais sérias sorri sempre troçando da minha própria intensidade. Sorrio porque presto atenção ao OUTRO e acredito no OUTRO. Sou marionete movida por dedos inexperientes, desmantelada, deslocada sem harmonia; um braço inerte, outro remexendo-se a meia altura. Rio-me, não quando o riso se adapta ao meu discurso, mas porque ele se implica nas correntes subjacentes do que eu digo.

Quero conhecer o que corre lá embaixo assim pontuado por convulsões amargas. As duas correntes não se encontram. Vejo em mim duas mulheres bizarramente ligadas uma à outra como gêmeos de circo. Vejo-as arrancarem-se uma da outra. Consigo mesmo ouvir o rasgão, a ira e o amor, a paixão e o sofrimento. Quando esse ato-deslocação de repente pára - o silêncio torna-se então ainda mais terrível um vez que a minha volta não há senão loucura, a loucura das coisas que atraem coisas dentro de cada um, raízes que se afastam para crescerem separadamente, tensão provocada para atingir a unidade.

Uma barra de música chega para fazer parar a deslocação por um instante; mas eis que o sorriso volta e eu percebo que ambas saltamos para dentro da coesão.

Imagens - que trazem a dissolução da alma no corpo como a ruptura do ácido-doce do orgasmo. Imagens que sacodem o sangue e formam inúteis a futura vigilância do espírito e a desconfiança face aos êxtases perigosos. A realidade afogara-se e a fantasia sufocava cada uma das horas do dia.

AS MENTIRAS CRIAM SOLIDÃO.

Tu deixastes a tua marca no mundo. Eu apenas atravessei como um fantasma. Será que de noite alguém dá falta do fruto caído da arvore, ou pelo morcego que vem contra a janela enquanto os outros falam, ou pelos olhos que refletem como água e bebem como mata-borrão, ou pela piedade que vacila como luz de vela, ou pelo conhecimento seguro sobre o qual as pessoas adormecem?

Até a minha voz veio do outro mundo. Fui embalsamada nas minhas mais secretas vertigens. Estive suspensa sobre o mundo escolhendo o caminho a percorrer de modo a não pisar nem a terra nem a relva. O meu passo era um passo cauteloso; o mínimo ruído do cascalho fazia que parasse.

Quando te vi escolhi meu corpo.

Vou deixar-te levar-me até à fecundidade da destruição. Por isso me atribuo um corpo, um rosto e uma voz. Eu sou-te como tu me és. Cala o fluxo sensacional do teu corpo e encontrarás em mim, intactos, os teus medos e tuas penas. Descobrirás o amor separado das paixões e eu descobrirei as paixões privadas de amor. Sai do papel que te atribuis e descansa no centro dos teus verdadeiros desejos. Por um momento deixa as tuas explosões de violência. Renuncia à tensão furiosa e indomável. Eu passarei a assumi-las.

Pára de tremer, de te agitar, de sufocar, de amaldiçoar, e reencontra no teu fundo que eu sou. Descansa das complicações, distorções e deformações. Por uma hora serás eu; ou antes, a outra metade de ti próprio. Aquela parte de ti que tu perdestes. O que queimaste, partiste, estragaste encontra-se entre as minhas mãos. Eu sou guarda de coisas frágeis e preservei de ti o que há de indissolúvel.

08 July 2008

Nine Inch Nails no Brasil.
Dessa vez eu não perco nem fodendo.
=D
Oi.

Preciso voltar. Para São Paulo.

Quase. Quase lá.

Um dia.

30 June 2008

O álcool já corria rápido nas veias, denso como o sangue, presente e latente como o desejo.
Era palpável, podia aspirar o hálito doce daquele homem em minha frente, queria sua língua dilacerada em seus lábios. Tão branca sua pele, e meu maior desejo é vê-la tinta com teu sangue rubro e doce. Seus olhos negros arrancados no ápice do meu prazer.

A cena: uma mesa , dois seres sexuais. Velas, música, absinto, e o objeto de suas perversões mais profundas. Ele quieto, sendo estudado e espreitado. Aquela era nossa única noite. A única de nossas vidas.

Darkness, saliva, semen, blood.

Ele pedia, implorava a cada olhar para que o ato fosse logo consumado, esse era nosso trato, eu lhe dar um pouco do que tinha. Suas mãos inquietas sobre o colo, ocultando algo que pulsava, e no peito algo que dilacerava. Eu apenas observava, me deliciando com sua ansiedade e nervosismo. Adiando o prazer por um prazer ainda maior.
Era tão doce, tão inocente, tão desolado e desiludido. Uma vítima tão perfeita para mim. Eu, sedenta de lúxuria, ansiando por suas mãos fortes em meus quadris, seus dedos em meu corpo, suas palavras sussurradas em meu ouvido. Toda dor e singeleza. Selvageria. Tê-lo por completo dentro de mim e dizimá-lo.

Peguei sua mão, descemos ao porão, a música alta enlouquecia e fazia todo o corpo tremer. Pulsar. Suando os odores da paixão. Joguei-o contra parede, não lhe dei bem um opção. Era meu jogo, minhas regras, eu senhora, ele servo. Ou aceita ou é punido.
Agarrei -o pelos cabelos e enfiei em sua boca minha língua metálica. Rasguei sua blusa, rasguei seu peito, mordi seu pescoço, serpenteei por toda extensão de sua pele pálida até torná-la vermelha. Bebi sua saliva, seu sangue, seu sêmem.
Com o crime consumado deixei-o lá, abandonado, nossa noite já havia terminado.
Mas eu ainda o podia sentí-lo dentro de mim. Sua pureza havia me contaminado. Seus sonhos haviam se tornado os meus.
Um sonho.
A realidade.
O crime perfeito e um final infeliz.

12 May 2008

Leave
Heavens



The night is falling, thank God
I hear the calling of the skeletons under the sun
The skeletons under the sun

The day is dying, big smile
Pose through the camera, a giant step for your kind
One of a kind

Don't leave just yet
Quiet on the set
Let's give this one more go
Make ourselves ill, poppin' sugar pills
Will swallow nice and slow

Don't leave just yet
We've just had a wreck
I'll need your name and phone
And water for these slow-dying trees
Where gardens used to grow

The sky is falling, straight down
It's come to crush us and leave us in our blood to drown
Barely making sound
The streets are painted so still
Can hear the breathing, the making sense of the spill
Enough to make you wanna kill

Don't leave just yet
Quiet on the set
Let's give this one more go
And make ourselves ill poppin' sugar pills
Will swallow nice and slow

Don't leave just yet
We've just had a wreck
I'll need your name and phone
And water for these slow-dying trees
Where gardens used to grow

Don't leave just yet
Quiet on the set
Let's give this one more go
And make ourselves ill poppin' sugar pills
Will swallow nice and slow

Don't leave just yet
We've just had a wreck
I'll need your name and phone
And water for these slow-dying trees
Where gardens used to grow

07 May 2008

Tem músicas que tem o poder de me fazer voltar no tempo. Change é uma.
Me faz voltar no tempo em duas ocasiões, em dois anos diferentes. 2000 e 2003, se não me engano. Nem parece que faz tanto tempo assim...

Pior, tudo remete à essa época do ano, outono quase inverno.. o frio começando e se espalhando, a luz tão clara que chega a machucar.
Vazio e problemas enormes.


"Change (In the House of Flies)"

I've watched you change
Into a fly
I looked away
You were on fire

I watched a change
In you
It's like you never
Had wings
Now you feel
So Alive
I've watched you change

I took you home
Set you on the glass
I pulled off your wings
Then I laughed

I watched a change
In you
It's like you never
Had wings
Now you feel
So alive
I've watched you change
It's like you never
Had wings

I look at the cross
Then I look away
Give you the gun
Blow me away

I've watched a change
In you
It's like you never
Had wings
Now you feel
So Alive

I've watched you change.
Now you feel Alive
You Feel Alive
I've watched you change
It's like you never
Had wings

You Changed
You Changed
You Changed

06 May 2008

E eu queria um lugar para me refugiar, mas hoje não sirvo de nem de refúgio, e nem tenho para onde ir.
Não quero ir para casa brigar.
Não quero ficar aqui e escutar xingamentos e palavras más.
Não quero ir para onde posso incomodar.
Não quero ficar só.

The slip

Eu AINDA gosto de Nine Inch Nails. Ok, não sou mais maníaca por NIN, mas gosto. Que nem KoRn, adoro ainda. Deftones. Entre várias coisas da minha adolescência tardia.

E o novo CD do NIN está sendo disponibilizado FREE on-line no site do cara (porque NIN sempre foi a banda do Trent Reznor...) - www.nin.com - e eu fui lá, claro, baixar. Teoricamente eles devem mandar algo para o meu e-mail, mas ainda não recebi - correção, acabei de receber o link para baixar, \o/.
São 87 mb em high-quality MP3's; 259 mb em FLAC lossless; 263 mb em M4A apple lossless (263 mb) e 1.2 gb em high definition WAVE 24/96.
É, parece que os caras realmente estão DANDO o CD, a qualidade dos arquivos é aparentemente impecável.

O lance é, segundo Trent Reznor, esse é um CD de agradecimento ao seu público, que desde 1989 se mantém mais ou menos fiel. Mas sabe o que é? É que quem realmente gostou de NIN nunca vai deixar de gostar...

03 May 2008


You are The Devil


Materiality. Material Force. Material temptation; sometimes obsession


The Devil is often a great card for business success; hard work and ambition.


Perhaps the most misunderstood of all the major arcana, the Devil is not really "Satan" at all, but Pan the half-goat nature god and/or Dionysius. These are gods of pleasure and abandon, of wild behavior and unbridled desires. This is a card about ambitions; it is also synonymous with temptation and addiction. On the flip side, however, the card can be a warning to someone who is too restrained, someone who never allows themselves to get passionate or messy or wild - or ambitious. This, too, is a form of enslavement. As a person, the Devil can stand for a man of money or erotic power, aggressive, controlling, or just persuasive. This is not to say a bad man, but certainly a powerful man who is hard to resist. The important thing is to remember that any chain is freely worn. In most cases, you are enslaved only because you allow it.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.

11 April 2008

Eu sinto muito. Por você, por mim, por um nós que não sai do pretérito do passado.
No fim não há pianos tocando, não há nossas mãos unidas, não há nada além do vazio do que poderia ter sido.
I'm really sorry, for us.

09 April 2008

Blue

Gosto do outono - os dias claros e as noites frias e mais longas.
Me lembra coisas boas, e outras nem tanto, mas em geral é algo bom.

Incrível meu nível de nostalgia, acho que isso não deve ser normal.
Mas no fundo me faz lembrar de coisas que não devo, nem quero, esquecer.

Seguindo um fluxo misterioso a espiral voltou a girar ao contrário. As coisa que iam bem começam a desandar, as que não iam parecem piorar. Os silêncios são mais duros e os gritos mais agudos, daqueles que ferem. As dúvidas e pensamentos infundados parecem mariposas ao redor da luz. É díficil manter-se na linha com tanta coisa. É díficil ter alguma certeza, algum vislumbre. Meus fantasmam dormem comigo todas as noites. Queria me desvencilhar da consciência, queria não ser responsável por tantas pessoas e sentimentos. Sentir aquela liberdade inconsequente que sempre me neguei. Não levar tudo a sério. Não ser tão séria. Ter mais saídas. Mais entradas. Menos desvios. Mais atalhos. Mais paisagens para acompanhar e me sentir leve. Ser levada pela mão, de olhos fechados. Desaprendi a acreditar faz tempo.

Calo, falo demais, mas calo. Verborragia muda, que tanto fala e nada diz. Aquela vontade íntima de que entendessem meu desespero, que enxergassem nos olhos a necessidade e o medo, a verdade inteira. Ninguém nunca viu, na verdade nem chegou perto. Nem eu. Mas um dia quero acordar e escutar "você não precisa disso, deixa que eu arrumo, deixa que eu falo, deixa que eu vejo, deixa que hoje eu sou você e amanhã você volta".

São as noites começando mais cedo, os pés gelados antes de dormir, os olhos lacrimejando, as mãos procurando, o coração saltando, a voz falhando, espiros, tosse, medo, água que não corre.
A grande poça.

Almost blue, almost me.

31 March 2008

Cada dia mais boba e apaixonada.
Aprendendo e prendendo dentro de mim até o fim.



Dionisios Ares Afrodite

aos deuses mais cruéis
juventude eterna

eles nos dão de beber
na mesma taça
o vinho, o sangue e o esperma

paulo leminski

11 March 2008

Inferno Astral nosso de cada dia

Odeio meu inferno astral - odeio ficar mais velha!

Sabe, eu não tenho mais 15 anos para ficar pensando o que vou fazer da minha vida - tenho quase 25 e ainda não sei o que fazer da minha vida. Talvez voltar para São Paulo, se ele for comigo. Talvez ganhar na mega-sena, se eu decidisse jogar. Essas coisas que não consigo decidir. Também não tenho trinta e poucos, casa, marido e filhos para reclamar. Não dá nem para ser um meio termo. Pelo menos ainda odeio meio-termos.

Tenho a porra da minha memória que parece ser de elefante, na verdade uma elefanta branca grávida, cúspindo coisas o tempo todo. Pior que mal me lembro de algumas que fiz há 5 minutos atrás, mas 5 anos atrás são extremamente nítidos, com sons, cheiros e sensações. Daí fico nessa nostalgia sem sentido. Cu. Odeio sentir isso e não poder fazer nada além de esperar passar.

Queria saber onde eu me abandonei. Eu não era assim, ou então fui abduzida, sequestrada, estuprada. Eu gostava de dançar, hoje nem tento mais. Eu gostava de gritar, hoje mal falo. Bebia, fumava, saia, não voltava, não dava explicação, morria de medo. Hoje para me tirar de casa é um sofrimento. Quando saio mau bebo, mau fumo, sempre volto, e aviso. Hoje não tenho medo. Isso só pode ser velhice precoce. E nem reclamar mais eu sei direito! hahaha

É bom perceber que acalmei, que não estou mais desesperada atrás de - sei lá o que. Aprovação. Amor. Amizade. Carinho. Atenção. Paixão. Fogo. Perigo. Prazer. Dor. Dor. Dor.
Por outro lado, não não não, não pode ser eu ainda, sempre achei rídiculo sossegar. E eu sosseguei.

Não sei se a estrada está livre, o sinal está vermelho ou se simplesmente enguiçou.
As coisas mudaram muito desde que me mudei, e voltei. Lembro da terrível solidão de São Paulo e das coisas que ficavam sem sentido. A vontade de me jogar na linha do metrô porque ninguém ia perceber, era milhares de pessoas que só iam reparar quando, e se, esguichasse sangue em suas caras. Lembro de quão díficil foi voltar para cá e largar o que conquistei lá, sozinha. De que voltar era pedir para morrer sem querer me jogar do 12º andar, ou de voltar bêbada para casa, de madrugada, durante um ataque do PCC. Voltar debaixo de chuva, parar no boteco e beber com os italianões da Mooca. Faz séculos que não tenho dor de cotovelo, acho que sarou.

Olhando isso tudo, vejo que estou me repetindo.

Saudade é um estado absoluto na minha condição, sempre sentindo saudade, mas querendo-não-querendo voltar ao passado. Mas no presente tem ele e eu não vou a lugar nenhum sem ele.

Daí o passado fica sendo apenas essa coisa engraçadinha que eu vivi, mas que não quero mais viver. Ou quero. Mas não quero. Quero. Não. Sei lá.

Rá, talvez eu não tenha mudado tanto ainda. Talvez a antiga Marcela ainda esteja aqui. Ou não.

25 anos é coisa para caralho, mas ainda não é nada. E eu sou uma velha presa morrendo de raiva por não ter aproveitado o que aproveitei - ainda adoro ser prolixa, sushi, amor, presentes, preto, cachoeira, praia. Talvez eu ainda seja eu.

22 February 2008

Fogo

Hoje estava eu no ônibus indo pra minha aula e começou a tocar essa música, Fogo do Capital Inicial. Me veio tanta coisa de repente! ...tanta coisa antiga que eu mal lembrava mais.

Veio uma vontadezinha de voltar e aproveitar as coisas boas de novo, foi gostoso perceber que no meu passado também tiveram coisas boas, horas felizes, dias de sol.

Daí lembrei das minhas promessas, e vi que não quebrei nenhuma. Se eu prometi amar para sempre, eu ainda amo, mesmo que de outro modo. Amo esses momentos de nostalgia que me fazem perceber cada vez mais que, o que sou hoje, e que a felicidade que conquistei vieram de muitas lições e cicatrizes. A colcha de retalho ainda continua no meu peito, mais forte, e linda!

A pessoa que sou em parte foi moldada por você.
Às vezes sinto uma saudade desproporcional de você, sabe? Lembro, e não me julgo mais por isso, ou tenho vergonha e me acho inapropriada. De todos você foi o único que realmente posso dizer que deixou algo, que ficou.

Fico triste por saber que no fim o que evitou uma amizade, ou proximidade que fosse, foram mentiras - e não minhas como você acredita até hoje. Uma pessoa extremamente má mentiu, tanto para você quanto para mim, e entendo que na época a raiva o fez acreditar.

É isso, apenas isso hoje em dia: lembranças.
Mas acho que nunca te agradeci pelo resto: Obrigada.




Você é tão acostumada
A sempre ter razão
Você é tão articulada
Quando fala não perde atenção

O poder de dominar é tentador
Eu já não sinto nada
Sou todo todor

É tão certo quanto calor do fogo
É tão certo quanto calor do fogo
Eu já não tenho escolha
E participo do seu jogo, eu participo

Não consigo dizer se é bom ou mal
Assim como o ar que parece vital
Onde que vá e o que quer que eu faço
Sem você não tem graça

Você sempre surpreende
E eu tento entender
Você nunca se arrepende
Você gosta e sente até prazer

Mas se você me perguntar
Eu digo sim e, continuo
Porque a chuva não cai
Só sobre mim
Vejo os outros
Todos estão tentando

É tão certo quanto calor do fogo
Eu já não tenho escolha
E participo do seu jogo, eu participo

Não consigo dizer se é bom ou mal
Assim como o ar que parece vital
Onde que vá e o que quer que eu faço
Sem você não tem graça

É tão certo quanto calor do fogo
É tão certo quanto calor do fogo

Eu já não tenho escolha
E participo do seu jogo, eu participo.

12 January 2008

Lembranças.




Flor de Lis
Djavan

Valei-me Deus
É o fim do nosso amor
Perdoa por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei

Será talvez
Que a minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis

E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu

Valei-me Deus
É o fim do nosso amor
Perdoa por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei

Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis

E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu

26 September 2007

Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa prá lembrar

Às vezes eu quero demais
E eu nunca sei se eu mereço
Os quartos escuros pulsam
E pedem por nós
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa prá lembrar

Se você quiser eu posso tentar mas
Eu não sei dançar
Tão devagar prá te acompanhar

29 August 2007

A Wolf at the Door

Dizem que sonhos são maneiras do nosso inconsciente falar. Freud ewscreveu 'N' coisas sobre, e existem milhares de teorias. Os meus ultimamente tem sido com o passado, uma saudade, um sopro. Talvez sejam as sucessivas perdas, a consciência que nada irá voltar. Talvez a consciência de que fiz tudo errado. É estranho sonhar com isso, até porque anda se tornando repetitivo. Posso acreditar em coisas metafísicas, em karma, que há coisas não resolvidas que precisam ser resolvidas. Mas pra que? Acho inútil remexer nisso. Até porque foi tão dolorido. Lembro que não menti, como muitos acreditavam, mas eu já estava tão sem forças que nem questionei. Lembro de que eu quis fazer as coisas certas, mas sou errada demais, e acabei errando de novo, omitindo de novo, machucando de novo.

No sonho havia beijos, e eu lembro ainda de como é seu beijo. Lembro da barba arranhando a pele, do ritmo. Lembro das mãos, como elas se comportavam. Lembro que gostava de segurar seu rosto, com o polegar perto da sua orelha e os outros dedos atrás dela, acariciando os cabelos. Minha outra mão costumava dar leves puxões na parte de trás dos seus cabelos, ou escorregavam para suas costas, com leves arranhões que iam aumentando a intensidade. E sonhei com isso, era meio que uma despedida decente, uma explicação não-necessária. Uma necessidade, capricho. Um sonho apenas. Mais um sonho.

Às vezes a certeza da inacessibilidade é uma dádiva, um bálsamo. Ainda mantenho minha impulsividade. Ainda tenho armas nas pontas dos meus dedos. Ainda lembro de como me perder no caminho reto.
Mas antes eu não tinha o que perder, agora tenho tudo.

Acalma, respira fundo, esquece. É mais fácil assim Marcela, é mais fácil...

13 August 2007

Sonhei. Dos sonhos que não são lembrados, mas fica o resquício de aroma para perseguir. Não sei porque, mas era real. Um passado que olhando daqui parece uma outra vida. E era. Eu, me vendo fora de mim. Sempre fui dada ao drama, e ele sempre me moveu. Mas posso dizer que acalmei minha alma, depois de toda lama que atravessei. Sonhei e me encontrei querendo achar atalhos para chegar lá, visitá-lo, uma mórbida vontade de ver as coisas de antes com meus prismas de agora. A realidade como eu julgava ser e como julgo. Estranho.
Desatados os nós as coisas flutuam. Não se perdem, voltam em níveis de consciência mais densos, inatingíveis para minha vontade.
É como levar flores ao túmulo de um grande amor. Como lembrar de um professor que te ensinou boa parte do que você sabe hoje. Com carinho.
É isso, boa parte do que sou, de bom e ruim, devo a este. Talvez por isso a repetição que não controlo.


"Ela pousa para mim ao partir. Apetece-me sair a correr e beijar a sua fantástica beleza, beijá-la e dizer: "Tu levas contigo um reflexo de mim, uma parte de mim. Eu sonhei-te, desejei a tua existência. Serás sempre parte da minha vida. Se eu te amo, tem de ser por termos partilhado, alguma vez, o mesmo imaginário, a mesma loucura, o mesmo palco. (...)". Amo-a pelo que ela ousou ser, pela sua dureza, a sua crueldade, o seu egoísmo, a sua perversidade, a sua destrutividade demoníaca. Ela era capaz de me reduzir a cinzas, sem hesitar. Ela é uma personalidade criada para os extremos. Eu admiro a sua coragem para magoar, e estou disposta a ser-lhe sacrificada. Ela somará a totalidade de mim a si. Ela será June mais tudo o que eu contenho."

Anaïs Nin - Henry e June, trecho onde Anaïs descreve seus sentimentos em relação à June, mulher de Henry Miller, com quem ela teve um caso (tanto June quanto Henry).

03 July 2007

O poder de nos enxergar em todos lugares...

27 Fev


"Quando nos deitávamos na cama era fresca, mas depois tornava-se quente e febril. Os seus olhos...é impossível descrever os seus olhos, a não ser dizendo que eram os olhos de um orgasmo. O que lhe acontecia constantemente nos olhos era algo de tão febril, tão incendiário, tão intenso, que por vezes quando olhava diretamente para ela e sentia o meu pênis erguer-se e palpitar, sentia também como se algo estivesse a palpitar nos olhos dela. Só com os olhos dela era capaz de dar essa resposta, essa resposta absolutamente erótica como se ondas febris estivessem a tremer naqueles lagos de loucura...algo de devorador, capaz de lamber um homem de uma ponta à outra como uma chama, aniquilá-lo, com um prazer nunca antes conhecido."
Anaïs Nin
.
.
.
Boa noite, meu amor...

... estava lendo Anaïs Nin, tentando dormir. Lógico que isso não poderia dar certo; Anaïs Nin sempre me causa pensamentos mais densos, e agora eles se aliam aos pensamentos que tenho com/por você. Pensamentos, lembranças, desejos, arrepios, sonhos, vontades, verdades, realidades. Tudo o que se refere à você.

Não consigo dormir. Queria estar na tua cama, nua, lendo para você os trechos mais interessantes, depois te olhar e morder os lábios, dar aquele sorriso que você já conhece, e me atirar no teu corpo (desajeitada do jeito que sou). Ou então ficar lendo e fugindo do seu toque, apenas retendo o momento e a sensações sinestésicas. As palavras aliadas aos olhares, ao desejo pulsante e crescente, ao seu cheiro, aos nossos corpos sensíveis até mesmo ao mais leve sopro. Tudo isso se tornado indistigüível pelo topor que vai tomando conta da gente, e nublando a visão e a razão. Até nós nos abandonarmos de nós mesmo e nos entregarmos um ao outro.
Amo o modo como você me faz sentir, e não falo apenas desses nossos pequenos prazeres carnais; se fosse só isso jamais permaneceria ao teu lado, dormiria e acordaria contigo, entregaria minha alma em beijos. Mas o modo como você me deixa em paz, me faz feliz, sorrir para as coisas mais simples, bobas,o seu poder de aniquilar quase que totalmente meu mau-humor, minhas preocupações. Amo quem sou quando estou ao teu lado.
Às vezes queria me ver de fora quando estou perto de você, devo parecer algo meio de outro mundo, porque o que sinto perto de ti não pode ser deste.

Estou com saudades, e não faz nem um dia que te vi pela última vez! Que provei do teu beijo, teu corpo, teu gosto, teu cheiro. Incrível como teu cheiro tem ficado no meu corpo, e isso me deixa realmente maluca. Maluca a ponto de ignorar responsabilidades, obrigações e cometer loucuras para estar do teu lado. É como se fosse tua marca secreta em mim, ninguém pode ver, mas todos percebem. E eu fico perturbada por não poder te ter sempre ao alcance dos meus lábios.

Amo-te Diego. Hoje mais que ontem e bem menos que amanhã.

("Todos os dias lhe digo que não o posso amar mais, e todos os dias encontro mais amor em mim para ele." Anaïs Nin )

15 June 2007

Protect me from what I want



Quantas vezes a gente se vê vivendo mentiras, daquelas que é melhor fingir que não não se sabe do que encarar e acabar logo com elas? E quantas vezes elas não ficam martelando na nossa cabeça, lembrando que a sua felicidade momentânea é uma mentira também?

Não se pode indefinidamente esconder toda sujeira debaixo do tapete.

E eu só queria sair dessa espiral de mentiras, falsidades, decepções, medo, insegurança, pessoas erradas, tristeza.
É nadar até a praia e não ter mais forças para andar.

No fim não passamos de pedaços de carne expostos no açougue. As coisas, sentimentos, não valem nada, além da carne.



"Ouço o passar de mistérios e o respirar de monstros. Só acordes perfeitos e sussurros. O choque com a realidade obscurece-me a visão e submerge-me no sonho. Sinto a distância como uma ferida. A distância desenrola-se diante de mim como um tapete, posto antes dos degraus da catedral por casamento ou enterro.Desenrola-se como uma noiva vermelha entre os outros e eu, mas não consigo pisá-la sem um sentimento de desconforto como o que se tem nas cerimônias. A cerimônia de pisar o carpete desenrolado até o interior da catedral onde tem lugar os ritos a que sou estranha. Não caso nem morro. E a distância da multidão entre os outros e eu, não pára de aumentar."

30 May 2007

Brasília, 30 de maio de 2007.

Olá meu Amor;

Sim, hoje queria mandar uma carta para você. Não, dessa vez não será uma carta de amor, mas como é da minha índole, uma queixa velada que nunca irá ler.

É que isso tudo me lembra dos tempos onde eu, mesmo com braços ao meu redor, com sexo na minha cama, com lábios nos meus lábios, me sentia só, estava só. Parece quando Eu apenas não bastava. Podia até ser a número 1, mas não era a única. Onde as coisas machucavam fundo e eu calava por medo de perder, por não saber como explicar: "eu te amo, mas por favor não me joga fora como as camisinhas da noite passada, aquelas que você usou com as outras". Não sei se é isto que realmente está acontecendo, e se for é sutil, mas não dói menos por isso, ao contrário, mantém a dúvida.
Não sei o que está faltando, ou sobrando, ou inexistindo, ou sei lá o quê. Sei apenas do silêncio e dos "Está tudo bem, meu amor." que fico repetindo, que escuto você repetir.
Não deixa de ser rídiculo me sentir assim novamente, ainda mais agora que, teoricamente, estou mais madura, mais qualquer coisa que se ganha com muita porrada na cara, cicatrizes no peito e idade. É isso, me acho velha para passar por isso de novo, todo drama e toda dor. Me acho velha para questionar seu passado e perguntar o motivo de prometer mordidas para outras, sendo que eu já não as recebo mais. Ou de "tentar se manter na linha" porque sou namorada. Ora, não é porque você quer, ou melhor, porque me ama, porque apenas Eu basto?
Não entendo, e ainda por cima, acabo me sinto pequena perto desses fatos. Ficar repetindo que está feliz não significa nada, que ama muito menos. Não significa nada quando junto desses e outros pequenos detalhes. Não sei se dá para entender, nem se é para entender.
Não que eu acreditasse que tudo ia ser como lá no começo, todo fogo e toda calma. O fogo ainda permanece, não tão forte, mas permanece. A calma já foi, voltou, fugiu e hoje anda passeando por aí. Queria de volta. Lógico que queria, todos nossos orgasmos inadjetiváveis. Nossos olhares, horas deitados na cama apenas olhando nos olhos do outro. Eu gosto mais de mim quando me vejo refletida nos teus olhos. Sentindo o calor, sentindo os arrepios.
Isso não é para ser uma cobrança, um pretexto, um qualquer-coisa-do-tipo. Nem desabafo. Mas é que eu sempre calo, e hoje eu queria falar.

Beijos
da sua, hoje menos que ontem,
M.

29 May 2007

Às vezes acho que não nasci mesmo para isso, que essa parte aqui de dentro sempre se rebela. Ou que seja um carma. Coisas do tipo.
Às vezes acho que a Marcela vai morrer de nostalgia. Porque quando vive quer que passe, quando passa quer viver.

23 May 2007



Tenho medo da morte. Acho que nem tanto a minha, mas principalmente das pessoas que amo e estão perto de mim. Poucas vezes fui afetada por ela. Acho que de verdade nunca senti o que ela pode fazer comigo. Mas ainda assim morro de medo.

Antes era raro ver as pessoas ao meu redor morrer, eu era mais nova, as pessoas também, parece que os problemas eram menos mortais. Agora pelo menos uma vez por ano isso vem me incomodar. Vem me mostrar o quanto eu me importo com as pessoas, mesmo que distantes, mesmo que tenhamos nossas diferenças. O quanto é importante falar, conversar, explicar e deixar claro o quanto se gosta. Nomear, qualificar, quantificar o sentimento o quanto seja humanamente fazer isto.

Daqui pra frente isso deve piorar, eu acho. Tanto a freqüência quanto o medo. O sentimento de vazio e de arrependimento de ter se calado, deixar para depois.

Isso de morrer é muito injusto, deixa para trás apenas saudades e dor para quem fica. Ausência que não tem como reparar, colocar nada no lugar.

13 April 2007

Não queria isso. Ser ciumenta. Extremamente ciumenta e possessiva, por mais que eu lute contra isso, sou.
Não digo da maneira usual, com namorados e essas coisas. Mas com amigos e meus pais. Principalmente meu pai. Nunca tivemos uma relação muito boa, e me dói ver que ele é mais íntimo de pessoas que conheceu ontem do que de mim. Que ama pessoas estranhas mais do que a mim. Que nada que eu faça mude isso, que nada eu tenha compense. Sei lá, dói ver alguém que se ama com outras pessoas como ele nunca foi com você.

Tipo isso, só queria não me importar tanto.

29 March 2007

Mensagens cifradas à Alfa-Ômega

... em algum lugar existiu, e ainda existe, My Sweet Devil.

Posso falar? Às vezes lembro, e s vezes sinto saudade. Na verdade a saudade vem toda vez que lembro, porque das coisas ruins que aconteceram conosco, não guardei muita coisa. Só um restinho do veneno, como uma espécie de vacina.
Mas não era disso que eu queria falar.
Saudades, das coisas boas.
Das nossas fotos sinceras. Temos poucas fotos juntos, mas em quase todas eu estava verdadeiramente feliz.
Saudades.Do modo como lembro da gente, se atacando para se defender. Caçando um ao outro, selvageria. O Lobo e a Raposa. Nossos pesadelos acordados, nossas mãos dadas pela noite.
Lembro e sinto falta, era puro mesmo quando corrompido.
Não que sinto falta no sentido de querer novamente, mas do modo como deixamos. Ali, assassinado, sangrando, até se esgotar.

Posso falar? Resumindo tudo posso dizer: foi bom. Nossas indas e vindas, os meus, os seus e os nossos pecados, nossas pervesões, pervesidades. Mas não aquela sensação do meu coração nos seus dentes, sendo estraçalhado cada vez que outros lábios, outros sexos você provava. De como um "te amo" era sofrido de falar, escutar. De como nunca haviam braços para me abraçar, e assim tive que aprender a me esquentar só. Do vazio, da espera, do nunca. "Não posso, não quero, não sinto, não toque, não coma." Sempre. As mentiras, penitências, transgressões, agressões físicas.
Disso tudo só ficou o aprendizado.

Acho que ainda deve existir na sua pele as marcas que deixei, de maldade, para provar para todas suas outras putas que, mesmo não permanecendo, estive ali. Sim, era por prazer, mas principalmente por orgulho e crueldade que eu marcava suas costas, seu peito, suas coxas.
Ainda tenho as suas marcas na minha pele, e tenho certeza que foram feitas com o mesmo intuito.

Os olhos. Negros, muito muito muito negros, o que eu amava incondicionalmente em você eram seus olhos, que se mantinham puros, que escondiam o garoto que eu amava. Sim, eu te amei, mais do que a mim mesma. Mas foi aquele garoto que temia quem mais amei. Medo de se machucar, se entregar. Foi esse garoto que fez eu me jogar do abismo, atravessar sua escuridão, enfrentar seus demônios, me entregar. Não o homem que queria me mudar, manipular para suas vontades.
Você.

Ainda tenho suas palavras guardadas. Aquelas em guardanapos dos bares que frequentavamos, que se referiam às minhas coxas brancas, aos meus olhos verdes, ao meu amor cego e burro. Sim.
Por que? Porque essas coisas não são levadas com as águas do tempo. Lhe avisei que seria para sempre.
"Por mais que a vida seja complexa em alguns momentos somos apenas animais que procuram sua caça, mas não se sabe quem é o caçador ou a caça. Mas na verdade todos somos caça e caçador, dominamos e somos dominados, pelos nossos instintos animais.
Ainda morderei como o lobo que sou, como um demônio que tento me tornar, como o garoto triste que você vê, como o nada que você procura, como a dor e calor da presa quando é esquartejada para alimentar seu ímpetuo de morte. "


Mas sabe, Não há fim, Não há início. Há apenas a infinita paixão da vida.
Por isso, às vezes, eu lembro. E, às vezes, sinto saudades.





(um dia você falou: "grite para todos os deuses dos ventos , que eu não estarei lá para escutar." My devil, eu sempre fiz isso, e sempre farei, e não quero mais saber de raiva, ódio, ou mágoa, agora viu cristal.)

17 March 2007

Sensação terrível, e nem gostaria de nomeá-la, sob o risco de torná-la ainda mais palpável, real.
Silêncio velado, gritos mudos, a boca seca. Sede.
Entregaria o leme da minha vida nas suas mãos. Cansei de tentar manter algo que pareça coerente, em linha reta.
Quero bater contra a parede e sentir a sensação do sangue escorrendo até os lábios; metálico e salgado.
Cheiro de flores no meu pescoço, cheiro de polvóra nos meus dedos, hálito de enxofre. Ácido, básico, neutro. Deslizando.
Puxando a cadeira, fazendo sexo, dançando no palco, beijando bocas, estraçalhando corações: parece já um século.
Menos é menos, que multiplicando pode se tornar mais de algum modo que não lembro como. Devoro.
Furem meus tímpanos, estuprem meu gosto, eu gosto de selvageria.
Rasgo sua camisa vermelha, rasgo sua pele branca até se tornar vermelha. Pronto, para que uma camisa?
Coloco fogo no seu jeans predileto usando seu perfume. Quase posso vê-lo queimando, você dentro.
Morda minhas coxas até sangrar, deixe marcas roxas por todo meu corpo: heis meu troféu.
Sorria, eu só estou na beira da loucura, ainda não cheguei lá...

06 March 2007

A última carta para alguém distante


Olá querido, quanto tempo, saudades;

As coisas andam se movimentando. Mas acabei voltando para um pedaço do passado onde encontrei sua lembrança. Sempre se sabe quando na verdade as coisas na vida não são para dar certo. Ou certas coisas. Mas queria imensamente que dessem. Ver essas coisas se degradando aos poucos sem poder fazer muita coisa - o que fazer em caso de mortes prematuras, onde já se sabia o que iria acontecer?

Morreu, há tempos. Na verdade nem deveria ter nascido, não como nasceu: prematura e orfã, coitada. Lembro dela roxa na incubadora, e das minhas esperança que dessa vez, talvez, não morresse; porque isso sempre dói demais. Lembro do seu descaso e das poucas vezes que você se atreveu a olhar para ela: aquela paixão frágil, que tentei proteger na palma das minhas mãos, o medo estampado nos teus olhos.

Não há motivos, mas há a vontade. De chorar, ser consolada. Não há ombros, não existem mãos estendidas. Mas disso também já deveria saber, se acostumar. De tantos ferimentos ainda há espaço para mais alguns. Cicatrizes que endurecem o coração, que já parece uma colcha velha de retalhos que ninguém mais quer, nem os necessitados. Pensei em comprar um novo, daqueles de plástico, transparentes, última geração, frios. Talvez com um desses da próxima vez ninguém consiga se aproximar o bastante para que dali nasça alguma coisa nati-morta.

Sim querido, depois de ti houveram outros, há ainda. Sim querido, continua machucando. Sim, continua sangrando. Sempre. Mesmo de longe você me conhece o bastante para saber dessa minha habilidade de escolher a dedo as melhores formas e os piores conteúdos; as melhores palavras e as piores intenções. Oh sim, continuo afundanda no drama, na inconsistência, nas esperanças, nos sonhos não-compartilhados, no medo, medo, medo. Sim meu eterno, nada mudou depois de ti, apenas você mesmo.

Posso falar a verdade agora? Nada é como falei. Ainda sou dada a esses pequenos desvios da verdade, para depois entregar minhas mentiras em busca de uma punição que julgo necessária. Ainda continuo sendo a pecadora que se apaixonou pelas penitências, e que sempre peca para ser castigada. As coisas mudaram, você já desbotou de mim, de dentro de mim e agora permanece latente. Agora há algo muito mais forte e denso. Uma paixão na incubadora lutando para não morrer também, e dessa vez gostaria tanto que não morresse... Mas que igualmente machuca e magoa, pisa e destrata, para depois cuidar e se desculpar. Mode e assopra. Estamos na UTI, mas ela continua a se debater, a gritar e depois calar. Entra em frênesi, depois volta ao coma. Melhora, dá uma volta lá fora e decaí.
Sim, nesse teatro em que você saiu de cena mudaram os personagens, mas nunca o enredo.

Beijos, cuide-se, agasalhe-se. O inverno pode estar acabando, mas o frio vem de dentro.
Saudades, mas não apareça mais.

Da não mais sua,
Marian.

15 February 2007

Dessas coisas que não se explicam. Dessas coisas que não tem porquê.
Dessas coisas inerentes à condição atual. Não pode existir melancolia em meio à felicidade?
Ou total insegurança à estabilidade?
Bobeira. Ou talvez não.
Cada vez mais parece não ser. Mas não se pode falar, pois tudo parecer estar sempre distorcido. Já não se sabe o que o que é realidade, o que deixa de ser, o que foi.

14 February 2007

"Ela sempre enfurecia-se sozinha, irritava-se sozinha, suportava sozinha suas intensas convulsões emocionais, das quais ele nunca participava." Anaïs Nin
.
.
.
Poucos são aqueles que controlam a situação. A consciência se distância do corpo e ruma às estrelas. Tornamo-nos marinheiros que acreditam no canto das sereias. Somos tão bobos e iludidos, vendidos e prostituídos por nossas idéias de certo e errado que não nos damos o trabalho de expor as questões que emergem do outro lado. Não mergulhamos para não nos sufocarmos. Somos ressonância em um mar de silêncio e ignorância.

Às vezes é bom sentir dor para nos sentirmos humanos. Buscamos ser imortais. Mas nos esquecemos de que o mundo é das químicas letais. Guardamos na gaveta mais profunda a violência e brutalidade que fez com que chegassemos aqui. Somos animais que temem reagir. Deixamo-nos ferir. Suportamos e, por dentro, desejamos explodir. A punição vai segurando as rédeas. Estamos com os ouvidos sempre arredidos. A moral vai levemente regrando. E nos lembramos que não há e nunca houve moral... Nos olhos, um pouco de medo do caos. Porem, é ele que controla estes dias. É preciso saber onde focar toda essa ira. Uma só bala pode matar a rainha. Talvez seja a hora certa para a queda de mais uma dinastia. O tão esperado tombo da bailarina.

Cobiçamos, mas tememos assumir o poder. Cante por aquilo que nunca irá ver, trancafiado em um corpo deformado, por suas atitudes rudes. Sente em uma cadeira e perceba que não há o que observar, toda vez que tenta desviar o olhar...
Qual o seu motivo, para desviá-lo?

O que você tem de medo, é exatamente o que vai ter de dor.

Sinta ao amanhecer o torpor. Perceba que não há ninguém ao seu redor. Despeça-se deste tom de pele. Revele.

12 February 2007

Como eu dizia, um dragão jamais pertence a nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja um unicórnio, salamandra, elfo, sereia ou ogro. Eles não dividem seus hábitos. Ninguém é capaz de compreender um dragão. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro) sempre batem a cauda três vezes, como se estivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja a sua maneira desajeitada de dizer: que seja doce.

06 February 2007

Os olhos perdidos na extensão pálida da pele, fina e frágil, quente, parecendo quase se desprender do corpo nu. Caminhando com as pontas dos dedos, aprendendo seus caminhos, os lugares secretos que faziam estremecer-se, se contorcer, gemer tão levemente que em seus corpos todos os pêlos eriçavam-se, uma súplica de paixão não-verbal. Desfrutavam desse prazer todas as noites e isso lhes tomava todo seu tempo, preenchia todos seus dias.

De olhos fechados respiravam seus aromas, e em meio a uma multidão poderiam reconhecer suas mútuas presenças, como um enorme ímã que levava seus pés ao encontro um do outro. Aspiravam seus corpos, seus cabelos, o ar quente que emanavam. Podiam sentir suas almas em suas bocas em beijos doces, inefáveis, selvagens. Os contornos eram tão claros que os cegavam, eles era uma orquestra de gostos e sensações, sinestésicos, anestésia geral. Aqueles corpos fléxiveis que se abriam ao prazer, que se atiravam um no outro sem medos. Sabiam que haviam achado seu refúgio, ali, quando um se via nos olhos do outro. Tudo parecia ter lógica.

A paz só era conhecida quando descansavam em seus peitos, libertos do resto do mundo, da vida. Tudo excitava o desejo, e a distância pontencializava loucura. A sombra que um deixavam no outro era visível a olhos nu, causando desconforto em quem reconhecia a felicidade tão explícita, em estado bruto.

E distante ela adormece extenuada, em sono ele lhe acorda com beijos. Por isso nunca soube quanto tempo havia passado, mas sabia da chegada.

29 January 2007

Chegou

Encontre um homem que te chαme de lindα ao invés de gostosα.
Que te ligue de voltα quαndo você desligαr nα cαrα dele.
Que deite embαixo dαs estrelαs e escute αs bαtidαs do seu corαção.
Que permαneçα αcordαdo só pαrα observαr você dormir.

Espere pelo homem que te beije nα testα.
Que queirα te mostrαr pαrα todo mundo mesmo quαndo você estα zuαndo.
Um homem que segure suα mão na frente dos αmigos dele.
Que te αche α mulher mαis bonitα do mundo mesmo quαndo você estα sem nenhumα mαquiαgem e que insistα em te segurαr pelα cinturα.

Aquele que te lembrα constαntemente o quαnto ele se preocupα com você e o quanto sortudo ele é por estαr αo seu lαdo.
Espere por αquele que esperαrα por você....
Aquele que vire pαrα o mundo e digα: É elα!!!

(posso dizer: É ele.)

25 January 2007

“Sim, eu sou a mulher de todos os contos. A face que sempre se colhe na face da história: eu Helena, tendo Páris pelos lábios, golpeei Heitor na cabeça; eu Créssida, beijei a boca dos homens de tal maneira que eles adoeceram ou enlouqueceram, ferindo-lhes no cérebro; eu Genebra, usei meus olhos preciosos de rainha e meus delicados cabelos de ouro suave para envolvê-los, e a minha boca melada dei a Lancelote...”

11 January 2007

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Voltando a ficar de bem. Comigo e com o resto.
Mas não por motivos óbvios, mas por motivos mais sensíveis.
Posso falar sem sombra de dúvida que depois de um bom tempo, agora, meu sorriso voltou a ser mais verdadeiro, sem sombra de medo ou nada, sem me forçar a fazê-lo nascer.

Contradições que são bem vindas.
Surpresas também.


"Der Wahnsinn
ist nur eine schmale Brücke
die Ufer sind Vernunft und Trieb
ich steig dir nach
das Sonnenlicht den Geist verwirrt
ein blindes Kind das vorwärts kriecht
weil es seine Mutter riecht

Ich finde dich

Die Spur ist frisch und auf die Brücke
tropft dein Schweiss dein warmes Blut
ich seh dich nicht
ich riech dich nur Ich spüre Dich
ein Raubtier das vor Hunger schreit
wittere ich dich meilenweit

Du riechst so gut
du riechst so gut
ich geh dir hinterher
du riechst so gut
ich finde dich
- so gut
ich steig dir nach
du riechst so gut
gleich hab ich dich

Jetzt hab ich dich

Ich warte bis es dunkel ist
dann fass ich an die nasse Haut
verrat mich nicht
oh siehst du nicht die Brücke brennt
hör auf zu schreien und wehre dich nicht
weil sie sonst auseinander bricht

Du riechst so gut
du riechst so gut
ich geh dir hinterher
du riechst so gut
ich finde dich
- so gut
ich steig dir nach
du riechst so gut
gleich hab ich dich

Du riechst so gut
du riechst so gut
ich geh dir hinterher
du riechst so gut
ich finde Dich
- so gut
ich fass dich an
du riechst so gut
jetzt hab ich dich

Du riechst so gut
du riechst so gut
ich geh dir hinterher"

Rammstein | Du Riechst So Gut

08 January 2007

If only tonight we could sleep

Queria apenas não ser. Apenas sentir. É tão mais fácil, simples, melhor.
Se ao menos eu pudesse explicar...



If only tonight we could sleep
In a bed made of flowers
If only tonight we could fall
In a deathless spell

If only tonight we could slide
Into deep black water
And breathe
And breathe...

Then an angel would come
With burning eyes like stars
And bury us deepIn his velvet arms

And the rain would cry
As our faces slipped away
And the rain would cry

Don't let it end...

05 January 2007

Eu queria gritar as verdades que falo, mas estou tão contida nessa minha insanidade que nem me importo com verdades.
Isto não é o que você pensa que é.
Olhe além e me veja nua sendo apedrejada pelos pecados que nem cometi.
Não é como uma sensação, algo em chamas nas vicéras.
É algo que me enlouquece e acalma essa fera selvagem dentro de mim...
Nesse mundo bizarro onde tudo é ao contrário do que deveria, onde amor verdadeiro é tão barato que se vende em qualquer esquina, e não se tem outro ópio para salvar a alma dessa perdição não entendo e nem confio em nada além do músculo que arrebenta em estilhaços de carne em meu peito.
Eu sei que existem coiotes e anjos que me queiram, mas sempre fui a pecadorazinha que se apaixonou pelas penitências, e sempre peca para tê-las.
Talvez desse vez eu possa ficar quieta moldando o infinito e levando a vida em frente, para o fundo do seu abismo.
O amor é um vício e nós poderíamos alimentar um ao outro, mas você não quis por sempre querer.
Pude ver isto na lacuna da sua íris, nos buracos vázios do seu corpo.
Mas você é tão bom para isso tudo, lava tuas mãos com meu sangue, tira e põe a coroa de espinhos em mim com a mesma freqüência que me olha nos olhos.
Mergulha nos meus olhos!
Não vira o rosto, circula no meu corpo e entra novamente pelo outro lado, nem tudo pára no mesmo lugar.
Eu não me vendo mais, tenho meus filhotes para cuidar assim que tudo voltar ao seu lugar.
Eu quero algo que perdi há muito tempo atrás e que os ladrões venderam para você.
Estou tão entediada quanto uma morta esquecida.
Eu só queria vomitar alguma coisa bonita para você não me questionar.
Sabia que ainda há vontade em algum lugar.
Sangre os seus pecados.
Vamos esquecer o mundo ao nosso redor de novo e vamos nos tornar um só outra vez como nunca fomos.

Para mim sequer começou mesmo, ainda havia muito pela frente, sempre há...

01 January 2007

sabe o que é?
terminou de terminar o ano mais foda de toda minha vida, em todos sentidos.
e eu sentada na frente do computador...

30 December 2006

what can I do?
cry.

29 December 2006

espero que nunca me entenda, porque se compreenderes estarás tão desesperado quanto eu

advérbio de intensidade terminado em mente

Devia ser umas onze horas. Ligou o chuveiro e tirou a roupa bem devagar para que a água tivesse tempo de esquentar. Entrou de uma só vez viu a tinta vermelha dos seus cabelos escorrendo ainda, pelo corpo. O mundo é mesmo uma merda. Ela não queria tomar banho, só ficar ali. Sentou no chão e a água começou a bater absurdamente quente nos seus joelhos, deixando-os vermelhos. Masoquista. Como as músicas que ouvia para ficar mais triste. Como roer as unhas até sair sangue. Unhas. Gostava delas carmim como estavam porque parecia mais puta, logo mais despudorada e confiante e moderna e confiante e feliz. As putas deviam ser felizes. Desespero. Procurou algum resquício de ilusão. Gostava de se iludir, de sentir-se falsamente protegida por alguém que pouco se importava com a sua existência. Existência. Se tivesse uma banheira, cortaria os pulsos e morreria afogada na água vermelha, como naquele filme. Então começou a rir sem controle, porque na película (filmes ficam mais bonitos se chamados de películas) a menina suicidava-se ao som de alguma coisa da mariah carey. Ou seria whitney huston? Estúpido, not for her. Ela queria morrer com estilo. Trilha sonora para sua morte poética? Edith piaf. Então pensou nas manchetes dos jornais baratos: jovem desiludida corta os pulsos em uma banheira ouvindo edith piaf. Precisava de um papel para escrever um bilhete para alguém. E não podia ser um bilhete qualquer, mas sim, um como aquele do almodóvar: 'espero que nunca me entenda, porque se compreenderes estarás tão desesperado quanto eu'. Alguma coisa assim, não lembrava direito. E tinha aquela cena com vinil, ne me quite pas e uma frase qualquer bonita. Seus joelhos estavam ardendo. Desligou o chuveiro e saiu. Não tinha uma banheira.

24 December 2006

queria saber o que falta pra preencher, porque sempre me sinto assim. só.
mesmo do lado de quem amo, confio. talvea amor, ao contrário do que acredito, nao valha lá muita coisa.
o que aconteceu com a maldita believer que fui?

Vento No Litoral - Legião Urbana

De tarde quero descansar, chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção


Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?


Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo


Quando vejo o mar
Existe algo que diz:
- A vida continua e se entregar é uma bobagem

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?

- Ei, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

23 December 2006

acho que realmente prefiro anônimos à abertos.
ou melhor, saber porque tem problemas com alguém que não procura.
só eu sei da minha vida, e no máximo duas pessoas podem me julgar. PORQUE ME CONHECEM. o resto, rá. NEM FODENDO.
lógico, me sinto mal quando alguém que só sabe de metade de histórias me acusam. "você sabe porquê". o caralho. eu sei, vocês não. deu pra entender?!
sei o que aconteceu, o motivo e porque fiz o que fiz, então nem tente julgar, ao menos sem antes TENTAR saber o que realmente possa ter acontecido.
outra, odeio falsidade.

19 December 2006

As cartas acabaram aos poucos, talvez porque eu já tenha falado tudo o que precisava, e queria. Desistido. Antes já não valia a pena tentar, agora então... Tentar, o que? Não sei, atingir.
O ponto é que nunca acabou, só as tentativas. Mas continua aqui. Não tudo, nem quase, mas algo. E é verdade que sempre volta, mesmo sem nunca ter ido.
A verdade continua sendo uma melancolia inerente, indiferente.

23 October 2006

09 October 2006

Porque você se foi. E não adiantou dizer que não, eu sei que nunca mais nos veremos.
E mesmo que não haja mais motivos, e mesmo sem nunca terem existido, senti como se tivessem extirpando uma parte de mim, um câncer, a dor que me acostumei a sentir.
Um dia você me viu chorar, me abraçou, me deu um beijo e insistiu em dizer "tchau" quando eu tinha tanto medo de te perder, porque nunca tive. Agora é simplesmente nunca mais, e adeus.


- Are you as bored by that crowd as I am?

- I didn't come here for the party. I came here for you. I've watched you for days. You're everything a man could ever want. It's not just your face, your figure, or your voice. It's your eyes. All the things I see in your eyes.

- What is it you see in my eyes?

- I see a crazy calm. You're sick of running. You're ready to face what you have to face. But you don't want to face it alone.

-No. I don't want to face it alone.

The wind rises electric.
She's soft and warm and almost weightless. Her perfume a sweet promise that brings tears to my eyes.
I tell her that everything will be all right. That I'll save her from whatever she's scared of and take her far, far away.
I tell her I love her.

The silencer makes a whisper of the gunshot.
I hold her close until she's gone.

I'll never know what she was running from.

15 September 2006

Carta nº 1 para alguém bem perto

Olá;

O que você quer que eu faça? Ou melhor, o que eu realmente estou fazendo? Fui compelida a me perguntar isso a mim mesma, porque sinceramente não sei. Não é bem uma reclamação, mas o fato é que não me sinto feliz como deveria, ou achava que iria ser. Não estou feliz aqui, assim como não estava lá. Sei que fui eu quem escolhi isso. Largar tudo de uma hora para outra, uma vida confortável e previsível (acho que isso me deixava infeliz lá), deixar amigos, família, casa, camputador, conforto, emprego, mimos. Talvez por puro capricho, ou na esperança de algo fabuloso, o que não aconteceu. Nunca me sinto bem por muito tempo quando alcanço o que desejo, parece que perde a graça rápido demais. Tem a euforia inicial e depois fico assim, suspensa, esperando a próxima loucura, desejo, passo. Pareço uma garota mimada, mas luto bastante para ter o que quero, então mimada é algo que nunca fui. De certo modo as coisas são até fáceis. Mas não quero que pense que sou fútil, mimada, talvez voluntariosa, mas por favor, não tenha uma má impressão de mim, até porque agora seria errônea. Queria que talvez conhecesse o que tenho de melhor. Aquelas qualidades que ninguém consegue ver na superfície, salvo uma ou duas pessoas muito especiais, e que agora estão também longe demais. A maioria só enxerga o que há de mais superficial, duvidoso, estudado e maestrado, socialmente adquirido para sobrevivência. Até porque me cansei de mostrar minhas perólas aos porcos. Mas queria que você pudesse ver além, que quisesse isso. Aquela coisa especial que deixei no fundo e tive vontade de te mostrar, mas não pude.
Nem sei seu nome. Não quero me apegar a tolices como essas ou sobrenomes, datas, roteiros pré-fabricados e falas decoradas. O teatro da vida real me cansa, e é muito menos glamuroso do que nos palcos, sob as luzes e olhares da platéia. E nem posso também dizer que te conheço. Mas é assim, sou impulsiva, achei que valeria a pena tentar falar algo para alguém que possa querer escutar. Ou não.
Parece até literatura, de certo modo é. Mas é lindo assim. E de verdade, pelo menos. É isso, quero que me veja como sou, mesmo sendo uma borderline prolixa verborrágica. E que talvez até goste disso, porque também ache que ser normal é a coisa mais irritante do mundo, e sem graça. Talvez porque você também seja assim, ou não, sei lá.
Cafona né? Mas é assim, meio intrísico, metafísico, loucurinhas.

Acho que era isso apenas.

Beijos

Marian.

12 September 2006

*suspiro*
não tem muito o que falar, agora é esperar...
*suspiro*







The truth is so boring
We all had each other
My instinct for failure
It's always been good to you
We all had each other
No-one is left to believe
The truth is so boring
Our names do not appear
The answer may be known for years
What friends are not suppose to tell
Everything happens
No-one was wrong

30 August 2006

30 agosto 2006
Tudo é muito grandioso para caber em simples fatos cotidianos, e por isso não é de admirar-se o descontrole sofrido nesses assuntos que normalmente estariam sob controle. Agora será melhor passar por alto dessa bagunça toda.

Sabe, o Quiroga conseguiu sintetizar tudo.
Que coisa!

16 August 2006

Estou a meio metro do chão, borboletas azuis no estômago.
Ah, há quanto tempo ninguém me deixava assim.

Ele veio da única maneira que eu não esperava, na única noite que eu não esperava, quando eu não o esperava. Ele veio.
Furacão.
Tirou tudo da ordem que eu tentava estabelecer para mim mesma.
Eu estava cansada de mornidão, de coisas requentadas, regurgitadas, vomitadas, desculpas veladas que não valem as palavras ditas. Ele veio, apareceu, de algum lugar dentro dos meus sonhos.
Não precisou de nada, e eu já tinha me atirado do abismo daqueles olhos sem olhar para baixo. Porque esqueci quantas vezes já morri me jogando de outros abismos.

Paixão, daquelas que te pegam pelo colarinho, te cala com um beijo e te deixa marcas no pescoço.
Paixão é um abismo.
Você se joga achando que vai aprender a voar antes de se esborrachar no chão, junto ao pó e aos cacos de si próprio. Eu me joguei, novamente.

Medo.
Porque dessa vez não quero que larguem minha mão e me deixem cair, sozinha, de novo. Ele me olhou sem saber.
Ele.
Medo.
Pavor.
Pânico.
Ninguém nunca se entregou assim. Todos são sempre uns covardes filhinhos da mamãe, que morrem de medo de se machucar, de se entregar. Nunca ninguém se entregou pra mim que nem eu.

Só pode ser sonho.
Mas não vou fugir, eu nunca fujo dos meus sonhos.

Sei me entregar, largar tudo e somente ir, ser levada. Mas não sei o que fazer, agora. Não sei como lidar com tudo isso, ou talvez seja mais uma miragem, é a distância. Não sei.

Ele apareceu, ele veio, ele está aqui, parece que já nasceu incrustado na minha carne, tatuado na minha alma.
É tudo o que eu poderia querer.
Tudo, tudo, tudo.

Talvez sonhos se tornem reais.

Ele. Ele. E SÓ ele...



Poem For A Nuclear Romance

What will it matter then
When the sky's not blue but blazing red
The fact that I simply love you
When all our dreams lay deformed and dead
We'll be two radioactive dancers
Spinning in different directions
And my love for you will be reduced to powder
The screams will perform louder and louder
Your marble flesh will soon be raw and burning
And kissing will reduce my lips to a pulp
Hideous creatures will return from the underground
And the fact that I love you
Will die
You don't have to sleep to see mightmares
Just hold me close
Then closer still
And you'll feel the probabilities
Pulling us apart

11 August 2006

Achei esse "questionário" no primeiro post do meu segundo blog, isso foi em julho de 2003.
Então se você não tem nada para fazer... as primeiras respostas são de 2003, e as entre parenteses de 2003.

Prepare-se para algo insuportável

VOCÊ:
Aniversário: 19 de março.
Signo: peixes.
Onde nasceu: Brasília.
(isso não mudou, ainda)

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS:
Cor atual do cabelo: tetracolor, variando do castanho claro pro vermelho, mas em breve estará rosa.
(castanho claro e preto desbotado avermelhado nas pontas)

Como é seu cabelo: um camaleão.
(sem corte, nos ombros na frente e curtinho atrás)

Cor dos olhos: verdes [??] amarelados.
(isso também ainda continua igual)

Usa boné: nops.
(nem fodendo)

Usa óculos de grau: tenho 5 graus de miopia, usei óculos por 10 anos e agora uso lentes.
(NÃO, fiz cirurgia...)

Usa óculos escuros: sim, de grau a lá John Lennon.
(sim, enormes e com jeito de óculos de perua pobre)

Usa aparelho nos dentes: usava.
(não)

Usa brinco: uns 5 na esquerda e um na direita, mas esses números são expandiveis.
(sim, 4 furos em cada orelha)

Tem tatuagens: AINDA não.
(AINDA não)

Tem piercing: na língua e pretendo fazer mais uns 5.
(na língua, orelha, nostril, mamilos e pretendo fazer mais uns 7, isso vicia)

Cor da Pele: branca encardida.
(ainda continua)

Altura: uns 1,63 m.
(acho que agora devo medir uns 12 cm...)

Estilo de roupa que usa: pretas.
(sei lá, as que eu olhar e não me achar gorda ou bizarra)


CORAÇÃO:

Tem mágoas: toneladas.
(não tantas mais, quase todas superadas)

Está amando: erh... estou.
(pra caralho!)

Está apaixonado: lógico.
(essa minha cara de boba responde tudo...)

Está a fim de alguém: humrum.
(de acordo com o ditado popular, estou com os quatro pneus arriados...)

Tem um melhor amigo: tenhos meus soulbrothers.
(tenho os melhores amigos do mundo!! os soulbrothers continuaram, e adicionamos mais namoridas, garotas, garotos, liões e uma infinidade de fauna e flora)

A quem você pede conselhos: não costumo pedir, mas escuto muito meus soulbrothers.
(escuto muito o Erik)

Quem sabe todos seus segredos: isso é segredo.
(Ninguém sabe, nem eu, porque esqueci)

Com quem você chora: o travesseiro e meu ursinho pimpão.
(Erik, Sarah)


VIDA:

Seus pais ainda estão juntos: não, sim, não, sim. depende do ponto de vista.
(não, eles se separaram)

Irmãos/idade: uma acefala de 17 anos.
(uma de 21 anos)

Na escola/Graduado: quinto semestre de jornalismo.
(bacharelado em Comunicação Social, Jornalismo, e cursando Artes Gráficas)

Aluga, mora com alguém ou tem sua própria casa: moro com minha mãe.
(em Brasília com a minha mãe, em São Paulo divido apartamento com três meninos que também vieram de fora estudar)

Cachorros/Gatos: só meu falecido Cherdon.
(o Cherdon vai ser sempre o dono do meu coração)

Você trabalha: sou escravizada por meu pai, mas emprego de verdade ainda tou procurando.
(só estudo, por enquanto)


UM OU OUTRO:
Preto/Branco: preto.
(idem)

Vermelho/Azul: vermelho sangue.
(idem)

Rosas/Margaridas: rosas negras.
(rosas, mas esqueça as negras)

Cerveja/Licor: cerveja sem pensar duas vezes!
(os dois, misturados de preferencia, alternando)

Cabelo Longo/Curto: curto para mulheres e longos para homens.
(continuo achando o mesmo)

Botas/Sapatos: coturnos.
(botas, cortunos e amo scarpins e salto alto em geral, odeio sandálias)

Comida Mexicana/Italiana: japonesa.
(japonesa e chinesa)

Luz/Sombra: sombra com fiascos de luz.
(meia luz)

Dia/Noite: noite.
(idem)

Mochila/Bolsa: bolsa com cara de mochila.
(bolsa com tamanho de mochila)

Cedo/Tarde: tarde.
(idem)

Adiantado/pontual/atrasado: atrasada pra mim e pontual pros outros.
(sempre atrasada, enrolada)

Cidade/Campo: cidade e praia.
(depende, campo para passear, cidade para morar)

Praia/Montanha: praia deserta e montanha com lareira e cobertor de orelha.
(praia)


FAVORITOS:
Veículo: ônibus mas prefiro uma Pajero.
(sei lá, utilitários e importados em geral)

Flor: rosas.
(orquídeas)

Shampoo: da L'oreal.
(gosto do nutri gloss)

Sabonete: algum com cheiro de bebê.
(protex)

Perfume para você: far away.
(glamour, mas ainda adoro o far away)

Cerveja: boehmia.
(Heineken)

Refrigerante: Coca-Cola.
(Guaraná)

Comida: sushi e sashimi.
(sushi/sashimi/frango ao molho de gengibre/camarão/medalhão à piamontesa)

Livro: A mulher que escreveu a bíblia, pergunte ao pó, lolita, on the road...
(Pergunte ao Pó, for ever)

Série: Friends.
(Carnivale)

Artista: Trent Reznor.
(sei lá)

Música: o meu amor do chico buarque.
(Flowers, Emile Simon)

Filme: Doce Novembro.
(Tantos, mas taaantos filmes, gosto dos do Burton)

Ator: Sei lá...
(Johnny Depp)

Atriz: Ah, aquela que fez Pecado Original... ah... esqueci o nome dela. A da boca carnuda...
(Angelina Jolie)

Personagem de desenho: Docinho das MSP
(Gir, do Invader Zim)


NA REAL VOCÊ...
É psicótico: talvez, você acha?
(completamente)

Muda de personalidade: só de pele.
(só na TPM)

É esquizofrêncio: sim, eu e ela.
(talvez, ainda não sabemos)

É obsessivo: muito.
(imensamente)

É oompulsivo: ih... demais.
(horrores)

Sofre de pânico: sim.
(sim, formigas me deixam em pânico)

É ansioso: demais.
(até não aguentar)

É depressivo: melhor nem comentar.
(só em São Paulo)

É suicida: talvez.
(não)

É ciumento: um pouco.
(estou ficando)


VOCÊ JÁ...
Beijou: o quê???????????
(ainda não beijei minhas costas)

Traiu: é, né?
(sim)

Manteve um segredo para todos: até hoje.
(sim)

Teve um amigo imaginário: tive não, tenho.
(vários)

Ficou mais de 5 horas com alguém no telefone: várias vezes.
(vish, só cinco horas?)

Viu uma briga de verdade: milhares de vezes.
(sim)

Esteve em cima do palco: e cai.
(sim)

Chorou até perder as forças: é o que tenho feito sempre ultimamente.
(inúmeras vezes)

Se apaixonou por um(a) professor(a): já, um de ciências.
(não)

Se sentiu atraído por um desenho: vários.
(já)

Assistiu "Punk, A Levada da Breca": Ei, EU sou a Punk!!
(¬¬)

Aprontou algo com alguém: já.
(já)

Esteve em um acidente de carro: umas três vezes.
(ainda mas mesmas três vezes)

Roubou algo: chiclete, balinha e chocolate [só pra alimentar o vício].
(corações)

Fumou cigarro: alguns...
(milhares)

Fumou maconha: uma única vez pra nunca mais.
(parei na primeira e única vez)

Bebeu: de vez em sempre...
(água?)

Ficou tão bêbado que nem lembrava o nome: não.
(não)

Mentiu pra alguém: tô mentindo pra você.
(sempre)


ÚLTIMA VEZ QUE...

Falou ao telefone/com quem: Hoje, com alguém.
(Meu Bb Leão)

Abraçou alguém: não hoje.
(sim, minha mãe)

Beijou de língua: isso faz muuuito tempo.
(hoje de madrugada, meu Bb Leão)

Se apaixonou: há dois segundos pela mesma pessoa.
(hmmm, mais ou menos um mês)

Beijou até perder os sentidos: quase.
(sim)

Foi ao cinema: não lembro, mas foi quando vi matrix reloaded.
(Umas 3 semanas, ver Superman, o Retorno)

Saiu pra caminhar: meia hora da parada pra faculdade.
(uma hora)

Escreveu uma carta (e pra quem foi): ontem a noite pra ele.
(não lembro, mas não faz muito tempo)

Jogou verdade ou desafio: não lembro.
(sei lá)


PREFERÊNCIAS:
A pessoa ideal fisicamente (estilo): ele.
(alto, magro, lânguido, olhos e cabelos escuros, nariz grande e fino, lábios carnudos, pele branquinha, cabelo caindo no rosto meio sem corte, sem pêlos no corpo, sombrancelhas fartas e marcantes, rosto fino, mãos com dedos longos e finos e macios e ágeis, e com um estilo próprio bem forte e original)

A pessoa ideal psicologicamente: a coisa.
(calmo, compreensivo, carinhoso, corajoso, companheiro, que compreenda meus surtos, que tenha alguns também, que seja um pouco obsessivo como eu, que goste das mesmas coisas, e mais algumas, que me respeite e respeite as coisas ao redor, os sentimentos e tudo o mais)

O lugar ideal: praia deserta.
(onde poder, desde que seja com vontade)

O clima ideal: calor.
(aquele do ínicio da noite, meio quente ainda, com um vento gostoso soprando)

A noite ideal: de eclipse.
(lua cheia enorme no céu, estrelas e ele)

O dia ideal: sexta-feira...
(sábado)


VOCÊ ACREDITA EM...
Deus/Diabo: Anjos e demônios!
(não)

Você: não muito.
(sim)

Seus amigos: depende...
(completamente)

Aliens: sim, família é uma coisa importante.
(sim)

Amor: é a única coisa que não duvido.
(é a única coisa da qual eu nunca vou duvidar)

Monstro do armário: não, só no monstro em baixo da cama.
(oh, sim, claro)

Testes sem noção: não, não acredito que estou há mais de meia hora respondendo essa porra.
(lógico que sim!)

Vida após a morte: sim.
(de certo modo acho que ainda acredito)

Destino: destino não tem graça, o acaso que é legal.
(sim e não)


AGORA:
O que está vestindo: como tá frio, muito frio, estou de sobretudo....
(estou de camiseta e calcinha)

Está feliz: não.
(pra caralho)

Está cansado: não muito, com sono.
(bastante)

Está sozinho: yeahp
(não)

Que horas são: 09:54 am.
(18:51)

Que dia é: três de junho.
(11 de agosto de 2006, sexta-feira)

Onde está: gráfica.
(na casa da mamãe)

04 August 2006

Quero meu Bb. Aqui, do meu lado. Meus dois Bb's.
Quero colo, carinho, cuidados, mimos. Dar colo, carinho, cuidados, mimos.
*suspiro*
Isso porque só fazem 4 dias. Imagina só o resto dos 5 meses... Vou morrer! Secar!
Aqui tudo perdeu a graça (e isso já faz tempo), quero estar onde sou necessária e amada.
*suspiro*
Telefone, internet, nada disso adianta.

Primeiro fim de semana longe, e vou me trancar no quarto novamente...
Saudades.
Pra caralho.

O pior é saber que nada é estático, e que zilhões de coisas podem, e irão, acontecer nesse meio tempo, e que pior ainda, podem mudar tudo.
Distância é um bicho escroto que corrói. Mas que deixa tudo tão maior.
A saudade, a paixão, a dor, as coisas boas, a volta.

01 August 2006

Cheguei, e já quero ir embora.
Saudades, imensas. Só dá pra suspirar e esperar (mesmo não sendo a minha melhor qualidade a paciência).
Amo, demais, de verdade assim, de supetão assim, simples assim.
Menino, vem me esquentar, aqui está um frio dos infernos, inverno glacial, insuportável, (ainda mais por estar longe do seu calor), e agora está uns 12 graus. brrrrr
Saudades, mas isso eu já disse.
Quero voltar, mas isso também.
Bb, vem prá cá (e isso eu também já pedi)?

21 July 2006

Simples, ele me faz bem.
Feliz.
Sorrir.
Mimimiiiii

03 July 2006

Sei que não deveria, mas sinto. E isso gera um ciclo vicioso que leva a me sentir pior.
Tenho medo. É isso. Antes eu achava que era ciúmes, mas agora vejo que é medo.
Pior, medo de algo que já aconteceu, há muito tempo. Sublimou.

Fico pensando em não voltar. Desistir. Não sei se quero ir adiante ainda.
Um desespero já começa a me preencher: ir embora para o nada.
Ir para a solidão. Descaso. Desprezo. Desapego.

Ficar seria colocar a pedra em cima e pedi para selarem com cimento.
Seria o nunca mais, sem chances de recaídas. De enganos.

Na verdade sou o próprio medo, ambulante, perambulando por aí. Cego.
Vejo no meu corpo uma espécie de transparência, um vácuo sem-cheio de algo que não sei bem o que é.
Sinto um terror quando essa substância se perde em algo que tambem não sei explicar.
Pode ser feito de algodão ou de enxofre, isso que me faz sentir triste ou feliz ou tudo junto ao mesmo tempo.
As variações são maiores que os laços e os nós das árvores.

Eu sou uma coisa intricada, misturada, confusa. Mas não sou forte como machado que carrego nas costas. Se bem que nem mesmo usar um machado, ele deve saber melhor que eu.
Sirvo de ignorante para me entender melhor.

É preciso dizer, escrever de alguma forma, se não, folha branca, zero. Deixei-me levar pelo arrastão de pensamentos, pela grafia torta, pelo música.

Nós, eu e você somos o mundo. Mundo de tantas coisas, de repente o universo somos todos nós.

Alguém já conseguiu juntar tudo que sabe de si?
Alguém já viu todo o universo?

Somos nós o mínimo e o máximo. É uma loucura isso tudo, não me dê ouvidos, mas por favor não ignore o pensamento. O Pensamento não segue uma linha reta, pelo menos o meu. Ele percorre algumas pistas dos mais diferentes trajetos.

Isso tudo nunca estaria numa peça publicitária, tudo bem, cartesianos de plantão.

Foda-se.

Se querem sentido vão se olhar no espelho.

Tem coisa mais comum que a própria cara? Quem não conhece a própria cara tão bem quanto qualquer um.

Sinta-se a vontade , pois agora tudo vai começar a fazer mais sentido para você.

E eu não acabarei esta noite em seus braços.

É o fim.

01 July 2006

Eu queria um homem passional e inteligente. Que me equilibrasse mas me deixasse louca. Que escrevesse - não que fosse escritor, por favor. Que simplesmente escrevesse coisas que me fizessem fazer aquela cara que eu faço quando me acertam os botões. Eu queria um homem inteligente e que não achasse que eu reclamo demais, apesar de eu reclamar de tudo. Eu praticamente me comunico através de reclamações. Mas é assim que é. Eu queria um homem que gostasse de música boa, que não tivesse medo de se jogar de uma ponte de mãos dadas comigo. Eu queria um homem que entendesse que demoro 50 anos para me arrumar e não achasse isso frescura, e que entendesse que eu preciso ficar sozinha e não fosse grudento, mas fosse um pouco obsessivo, porque isso me faz sentir importante e normal, porque eu sou um pouco obsessiva. Que não fosse muito junkie, só um pouquinho, e que bebesse bastante mas conseguisse ficar sem beber bastante. Que me achasse linda e me dissesse que meu nariz é lindo, mas não se importasse com o fato de que ele vai mudar. Que gostasse de gatos e me trouxesse café na cama às vezes. E não achasse que eu sou mãe dele, nem tentasse ser meu pai. Que conseguisse ficar horas simplesmente falando e escutando, e que escutasse de verdade que nem eu escuto, e que conseguisse falar dele sem ser chato. Que me sacasse de cara em vez de me julgar pra depois me conhecer. Que soubesse bater e acariciar que nem a Nina Simone fazia com o piano dela. Que calasse a minha boca. Que não me mandasse pensar menos. Que tivesse aqueles olhos.

Eu queria um monte de coisas. Teoria.

30 June 2006

23 June 2006

Eu queria acreditar, mas não consigo.
Doente, triste. *suspiros*
"tem coisas que nunca mudam"

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...

Mário de Sá-Carneiro
Tem horas que eu gostaria de acreditar simplesmente no que me dizem...
mas
não dá mais.



Quando olhaste bem
Nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei me debrucei
Sobre o teu corpo
E duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito
Teu pijama
Nos teus pés
Ao pé da cama

Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho

Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome
Te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Só pra mostrar que ainda sou tua
Até provar que ainda sou tua


19 June 2006

Porque ele é mais importante para mim do que parece, e foi desespero que experimentei quando vi que perdi, ou talvez nunca possui.
Mas eu o amo. Amo de verdade, sem necessidades absurdas, sem cobranças. Puro e simples.
Amo dormir abraçada e sentir sua respiração, sentir você perto de mim.
E não pense em coisas mundanas. É muito mais além.
Meu menino, meu amigo, meu "irmãozinho", meu amor. Indepedente de qualquer coisa.
Frá.
Te amo.
Independente de tudo.
Simples assim.


Goodbye My Lover

Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and
I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that
I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well,
I know your smell.
I've been addicted to you.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to beI've seen you cry,
I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you,
I swear that's true.
I cannot live without you.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
And I still hold your hand in mine.
In mine when
I'm asleep.A
nd I will bear my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby,
I'm so hollow.
I'm so, I'm so,
I'm so hollow.

14 June 2006

Sensação terrível, e nem gostaria de nomeá-la, sob o risco de torná-la ainda mais palpável, real.

Silêncio velado, gritos mudos, a boca seca.
Sede.

Entregaria o leme da minha vida nas suas mãos.
Cansei de tentar manter algo que pareça coerente, em linha reta.

Quero bater contra a parede e sentir a sensação do sangue escorrendo até os lábios; metálico e salgado.

Cheiro de flores no meu pescoço, cheiro de polvóra nos meus dedos, hálito de enxofre.
Ácido, básico, neutro.

Deslizando.

Puxando a cadeira, fazendo sexo, dançando no palco, beijando bocas, estraçalhando corações: parece já um século.

Menos é menos, que multiplicando pode se tornar mais de algum modo que não lembro como.
Devoro.

Furem meus tímpanos, estuprem meu gosto, eu gosto de selvageria.

Rasgo sua camisa vermelha, rasgo sua pele branca até se tornar vermelha.
Pronto, para que uma camisa?

Coloco fogo no seu jeans predileto usando seu perfume.
Quase posso vê-lo queimando, você dentro.

Morda minhas coxas até sangrar, deixe marcas roxas por todo meu corpo: heis meu troféu.

Sorria, eu só estou na beira da loucura, ainda não cheguei lá...

12 June 2006

Sleep Together

Os olhos negros perdidos na extensão pálida da pele, fina e frágil, quente, parecendo quase se desprender do corpo nu. Caminhando com as pontas dos dedos, aprendendo seus caminhos, os lugares secretos que faziam estremecer-se, se contorcer, gemer tão levemente que em seus corpos todos os pêlos eriçavam-se, uma súplica de paixão não-verbal. Desfrutavam desse prazer todas as noites e isso lhes tomava todo seu tempo, preenchia todos seus dias.

Não podiam falar daquele amor que não conheciam e nem sabiam explicar, as palavras se tornavam ásperas, punhais rasgando a pureza que existia entre eles.

De olhos fechados respiravam seus aromas, e em meio a uma multidão poderiam reconhecer suas mútuas presenças, como um enorme ímã que levava seus pés ao encontro um do outro. Aspiravam seus corpos, seus cabelos, o ar quente que emanavam. Podiam sentir suas almas em suas bocas em beijos doces, inefáveis, selvagens. Os contornos eram tão claros que os cegavam, eles era uma orquestra de gostos e sensações, sinestésicos, anestésia geral. Aqueles corpos fléxiveis que se abriam ao prazer, que se atiravam um no outro sem medos. Sabiam que haviam achado seu refúgio, ali, quando um se via nos olhos do outro. Tudo parecia ter lógica.

A paz só era conhecida quando descansavam em seus peitos, libertos do resto do mundo, da vida. Tudo excitava o desejo, e a distância pontencializava loucura. A sombra que um deixavam no outro era visível a olhos nu, causando desconforto em quem reconhecia a felicidade tão explícita, em estado bruto. Ela lhe pede tudo o que possui: a si próprio, ele. Ele lhe entregava seu medo e seu claustro. Ela, sua vida.

Ela disse que jamais esqueceria seus sentimentos e momentos em folhas amareladas guardadas em caixas, trancadas em gavetas esquecidas. E era com pânico que lembravam que nada disso era real, que não passavam de delírios, e quando se encontrava, estava apenas a observar seu sorriso naquela única foto distorcida. Uma noite, nenhum dia, nenhuma luz. Desespero, lágrimas, felicidade. O sono falta e os sonhos invadem a lúcidez.

Mas quando ela adormece extenuada, em sono ele lhe acorda com beijos. Por isso nunca soube quanto tempo havia passado, mas sabia da chegada, da partida e da saudade.

"If we sleep together
Will you like me better
If we come together
We'll go down forever
If we sleep together
Will I like you better
If we come together"

09 June 2006

Mataram Bandinni, o meu Arturo.
Estréia hoje o filme do meu livro favorito em todo mundo: Pergunte ao Pó, do meu amado e idolatrado Fante. E assassinaram a história, aquele não é meu Bandinni. Aquele nem chega perto de Bandinni, não tem a força, não tem a graça, nem a desgraça estampada no rosto. As roupas! Limpas, novas. Bandinni usava roupas velhas, não ganhava muito dinheiro escrevendo, quase nem se sustentava! Suas roupas tinham o pó do deserto impregnado na trama do tecido.
Irei assistir o filme, mas não me peçam para reconhecer Badinni...

08 June 2006

Gosto de ver você dormir que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia, amanhã é a sua vez

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa é a chave que sempre esqueço

Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um p'ro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor
Por amor
Luzes e sentido e palavra - Palavra é e o coração não pensa


Ontem faltou água, anteontem faltou luz
teve torcida gritando quando a luz voltou
Não falo como você fala mas vejo bem o que você me diz.


Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo
prefiro acreditar no mundo do meu jeito,
E você estava esperando voar
Mas como chegar até as nuvens com os pés no chão?


O que sinto muitas vezes faz sentido
E outras vezes não descubro o motivo
Que me explique porque é que não consigo ver sentido
No que sinto, no que procuro e desejo que faz parte do meu mundo


O arco-íris tem sete cores e fui juiz supremo
Vai, vem embora, volta
Todos têm, todos têm suas próprias razões.


Qual foi a semente que você plantou? Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito o que está acontecendo.
E daí, de hoje em diante, todo dia vai ser o dia mais importante.


Se você quiser alguém pra ser só seu
É só não se esquecer eu estarei aqui


Não digo nada, espero o vendaval passar
Por enquanto eu não sei
O que você me falou me fez rir e pensar
Porque estou tão preocupado por estar tão preocupado assim.


Sou bicho do mato, mas se você quiser alguém pra ser só seu
É só não se esquecer eu estarei aqui
Se você quiser alguém pra ser só seu
É só não se esquecer eu estarei aqui
Se você quiser alguém pra ser só seu
É só não se esquecer eu estarei aqui
Se você quiser alguém pra ser só seu
É só não se esquecer eu estarei aqui


Ou então não terás jamais a chave do meu coração

06 June 2006

Cansei dessas baboseiras.
Hoje descobri que talvez eu esteja doente. Mas não estou nem um pouco preocupada. Isso não me manterá longe das minhas metas.
Meus porres tem sido homéricos, coisa de voltar tropeçando, cambaleando sozinha pra casa de madrugada. Lindo isso.

&

Sabe, nunca passei um dia dos namorados legal, com jantar, flores, vinho, sexo selvagem, você sabe, essas coisas idiotas que todo mundo cobiça, mesmo que não assuma.
Nunca, na vida inteira.
E tenho duas opções nesta merda de dia idiota que está chegando para me assombrar.
1. Comprar uma caixa de Dormonid©, tomar na noite do dia 11 e só acordar no dia 13, revigorada.
2. Fazer uma promoção "Deixe a Marcela feliz".

O que vocês acham?
Eu acho que não consigo comprar remédios de tarja preta sem receita. Então vamos à promoção.

ALGUÉM VAI TER QUE ME LEVAR PARA JANTAR NO DIA DOS NAMORADOS.
Nem que seja comer dog no Black Dog. E eu quero vinho. E quero flores e jazz e um cara que consiga não mentir por duas horas. E que tenha lido Fante, Bukowski e goste de Nina Simone e de Miles Davis.
...Ou uma caixa de Dormonid. Alguém aí tem uma caixa de Dormonid sobrando?

05 June 2006

Eu não sei ainda a resposta.
Aliás, sei. Esse fim de semana foi um inferno. Tudo deu errado, e ainda tive que decidir isso.

Não sei porque você, logo agora, mudou de idéia, ou vislumbrou algo...
Mas sinto muito. Não vou cair.
Não vou mais me deixar levar pelo o que senti por você, e sofrer, porque iremos embora, e será nunca mais.
E eu não acredito.
A verdade é: sinto que não será aqui, mas é como se algo me esperasse.
Eu sinto.
E sinto muito, ou nem tanto...



As Flores do Mal

Eu quis você e me perdi
Você não viu e eu não senti
Não acredito nem vou julgar
Você sorriu, ficou e quis me provocar
Quis dar uma volta em todo o mundo
Mas não é bem assim que as coisas são
Seu interesse é só traição

E mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais

Tua indecência não serve mais
Tão decadente e tanto faz
Quais são as regras?
O que ficou?
O seu cinismo essa sedução
Volta pro esgoto baby
Vê se alguém lhe quer

O que ficou é esse modelito da estação passada
Extorsão e drogas demais
Todos já sabem o que você faz
Teu perfume barato, teus truques banais
Você acabou ficando pra trás

Porque mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais

Volta pro esgoto baby
e vê se alguém lhe quer

30 May 2006

Agora acabou, juro, estou sendo expulsa.
Boteco, vodé